Rei Abdullah teme novo conflito no Oriente Médio
Agência EFE
JERUSALÉM - O rei da Jordânia, Abdullah II, teme um novo conflito no Oriente Médio, como o do último ano entre Israel e o Hisbolá, se o conflito entre palestinos e israelenses não começar a ser resolvido este ano.
- A freqüência dos conflitos nesta região é extremamente alarmante. Acho que entre os árabes, e também em uma parte dos israelenses, existe a impressão de que em agosto Israel perdeu o combate, e isso cria um perigoso precedente que pode encorajar os radicais na região - afirma Abdullah II em entrevista ao jornal israelense 'Ha'aretz'.
Segundo o monarca, o conflito no Líbano criou uma "oportunidade de ouro" para começar a resolver o problema palestino-israelense, que qualifica como eixo da estabilidade na região, mais que a guerra do Iraque.
- Esta é a chance de dizer a palestinos e israelenses que estão diante de uma oportunidade de ouro e que, em certa medida, pode ser a última - adverte. - Devemos nos assegurar que a crise do último ano não se repita, e, se não nos movimentarmos adiante, é só questão de tempo até que exploda um novo conflito entre Israel e outro alguém na região - acrescentou.
Abdullah também lembrou a ameaça do Irã e disse que, graças ao movimento islâmico palestino Hamas, o regime de Teerã ganhou um espaço na 'mesa de diálogo dos assuntos palestinos'.
- Através do Hamas, (Irã) tem voz nas questões palestinas, por mais estranho que isto soe - assegurou o monarca.
Quanto ao programa nuclear de Teerã, explicou que 'as regras do jogo na região mudaram' e que são vários os países árabes que pediram oficialmente para iniciar seus próprios projetos.
- A Jordânia costumava dizer antes que gostaria de ver uma região livre de armas nucleares, mas, depois de meados do ano passado, todos se encaminham rumo a programas nucleares - afirmou, ressaltando, no entanto, que no seu caso o objetivo é obter tecnologia nuclear com fins pacíficos.
