Juiz bloqueia bens de Fujimori por massacre de presos em 1992

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Agência EFE

LIMA - Um juiz peruano ordenou o bloqueio dos bens e das contas bancárias do ex-presidente Alberto Fujimori para garantir o pagamento de uma reparação civil pelo massacre de 41 presos acusados de terrorismo em 1992, informou o jornal 'La República'.

O montante fixado pelo juiz Omar Pimentel equivale a 3 milhões de sóis (US$ 940 mil), mas pode aumentar se a Procuradoria provar que as supostas ações de Fujimori causaram prejuízo ao Estado peruano, acrescentou o jornal.

Pimentel também notificou órgãos públicos e entidades financeiras que devem informar sobre cadernetas de poupança, ações e bens registrados em nome do ex-presidente peruano (1990-2000).

O secretário-executivo da Coordenadoria Nacional de Direitos Humanos, Pablo Rojas, considerou 'pequeno' o montante fixado pelo juiz.

Rojas ressaltou que, no Peru, as indenizações às vítimas de violações dos direitos humanos e a seus parentes não superam, em muitos casos, os 10 mil sóis (US$ 3 mil).

Em 6 de maio de 1992, o Governo de Fujimori ordenou a transferência de cem presas acusadas de terrorismo do presídio de segurança máxima Miguel Castro-Castro para uma prisão de mulheres, o que teria originado uma rebelião.

Três dias depois, forças especiais da Polícia e do Exército, supostamente sob a supervisão de Fujimori, invadiram com granadas, explosivos e tiros o pavilhão onde estavam detidos alguns dirigentes do Sendero Luminoso e vários acusados de terrorismo.

Relatórios legistas determinaram que muitos dos 41 detentos foram executados com tiros na cabeça.

O juiz Pimentel concluiu recentemente as investigações sobre o caso, após colher mais de 100 testemunhos de policiais e presos que presenciaram a operação, denominada 'Transferência 1'.