Argentina investiga crimes políticos anteriores à ditadura

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Agência EFE

BUENOS AIRES - A Argentina está revirando cada vez mais seu passado de violência política, com a ampliação das investigações sobre o início da década de 1970, quando esquadrões da guerra investiam contra opositores de esquerda, mesmo antes da famosa 'Guerra Suja'. O juiz federal Norberto Oyarbide reabriu um inquérito sobre a Aliança Anticomunista Argentina, alegando que a prescrição não se aplica ao caso, pois a organização, conhecida como Triplo A, cometeu crimes contra a humanidade.

Oyarbide também determinou a prisão de dois suspeitos de pertencer ao grupo, que segundo ativistas matou ou sequestrou até 2.000 pessoas antes da ditadura, que durou de 1976 a 1983.

A medida faz parte de um esforço para processar os responsáveis por violações aos direitos humanos durante o regime militar, depois da derrubada das leis de anistia, em 2005, com forte apoio do presidente Néstor Kirchner.

- Esse é o lado para onde estão soprando os ventos políticos na Argentina - disse o analista político Felipe Noguera.

- Alguns integrantes do governo acham que revisitar os anos 1970 e 1980, a Guerra Suja e os julgamentos e perdões é muito importante.

O Triplo A foi um grupo clandestino que operou durante o governo democrático da presidente Maria Estela Martinez de Perón, mais conhecida como Isabel, viúva e sucessora de Juan Domingo Perón. O esquadrão atacou políticos, jornalistas e integrantes de movimentos guerrilheiros de esquerda, como os Montoneros e o Exército Revolucionário Popular. O principal acusado de ser o arquiteto político do Triplo A era o ministro do Bem-Estar Social de Isabel Perón, José Lopez Rega.