Adiado para 8 de janeiro o julgamento contra Saddam

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EFE

BAGDÁ - O julgamento contra o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein e seis ex-colaboradores por genocídio contra o povo curdo na campanha de Al-Anfal foi adiada nesta quinta-feira para 8 de janeiro. Na 33ª sessão do julgamento estiveram presentes todos os acusados, além dos advogados nomeados pelo tribunal para suprir a ausência da equipe de defesa, que está boicotando o julgamento em protesto contra o tratamento recebido pelo tribunal.

O procurador-geral apresentou documentos e cartas secretas do Governo que provam o uso de armas químicas na campanha militar de Al-Anfal, cometida pelo regime iraquiano contra os curdos para frear a sedição no norte do país.

Munkis al-Faraon, representante do procurador-geral, voltou a apresentar vários documentos oficiais que contêm uma ordem expressa de Saddam ao Exército iraquiano para utilizar armas químicas contra os soldados iranianos e os combatentes curdos que os apoiavam.

Os advogados de Saddam alegam que a campanha de Al-Anfal era uma operação militar legal contra as milícias curdas que lutavam junto com o Irã na guerra entre os dois países, entre 1980 e 1988.

Sultan Hachim, ex-ministro da Defesa durante o regime de Saddam, disse que o Irã ocupava uma parte do Curdistão iraquiano durante a campanha de Al-Anfal em 1988, e acrescentou que o território ocupado é 'quatro vezes maior que o Líbano, já que quatro cidades situadas no norte do Iraque estavam tomadas pelas tropas iranianas'.

Hachim acrescentou que os combatentes curdos ofereciam aos iranianos apoio logístico, e operavam como forças regulares que tinham acampamentos e líderes em Buhdunan e Kardagh, no norte do Iraque.

O tribunal especial encarregado de julgar Saddam condenou em novembro o presidente iraquiano junto com seu meio-irmão, Barzan al-Tikriti, e o ex-juiz Awad al-Bandar à pena de morte, devido à execução de 148 xiitas iraquianos após um atentado contra o ex-ditador em 1982 na aldeia de Dujail, ao norte de Bagdá.

Outros quatro de seus ex-assessores cumprirão penas de prisão de entre 17 anos e prisão perpétua pelo envolvimento no mesmo caso