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Bachelet: Pinochet provocou divisões até o dia de sua morte

Por

Agência JB

SANTIAGO - A presidente do Chile, Michelle Bachelet, afirmou que o ex-ditador Augusto Pinochet provocou divisões até o dia de sua morte, embora há tempos tenha deixado de ser 'um ator político relevante' no país. Em um encontro com a imprensa estrangeira, a governante socialista afirmou que o Chile conseguiu manter a normalidade após sua morte graças à decisão do Governo de não render honras de chefe de Estado a ele.

Bachelet acrescentou que uma figura que dividiu tão profundamente os chilenos não merecia 'ter a bandeira do Palácio da Moeda a meio mastro'. Augusto Pinochet Ugarte morreu em 10 de dezembro, aos 91 anos, vítima de um enfarte que tinha sofrido uma semana antes e do qual não se recuperou.

Bachelet revelou aos correspondentes estrangeiros que durante o Governo do presidente Ricardo Lagos (2000-2006), quando ela era ministra da Defesa, já se falava de como enfrentar a morte do ex-ditador para que seus funerais não se transformassem 'em uma batalha campal'.

No entanto, a presidente defendeu as honras prestadas na Escola Militar: 'É preciso lembrar que Pinochet foi um comandante-em-chefe designado por um chefe de Estado eleito democraticamente', disse, referindo-se a Salvador Allende.

- Se seus funerais tivessem sido realizados no Cemitério Geral, na Praça de Armas ou em uma igreja ou em qualquer outro lugar que não fosse a Escola Militar, com certeza haveria espaços para que setores entrassem em disputa e isto poderia ter representado um fato grave do ponto de vista da paz social', ressaltou.