Primeiro chefe paramilitar se apresenta à Justiça colombiana
EFE
BOGOTÁ - O chefe paramilitar Salvatore Mancuso se tornou nesta terça-feira o primeiro dos líderes das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) a se apresentar à Justiça em aplicação da Lei de Justiça e Paz promulgada durante o processo de paz.
O chefe político das AUC, atualmente detido, cumpriu nesta terça-feira o primeiro dos três dias previstos nos quais terá que depor sobre sua suposta relação com múltiplos crimes, entre eles o de ordenar dezenas de massacres de camponeses.
O chefe paramilitar foi levado ao Palácio de Justiça de Medellín, que permaneceu cercado por vários manifestantes apoiados por ativistas de organizações de direitos humanos que levavam cartazes pedindo sua punição.
Mancuso é um dos 59 chefes das AUC detidos em uma prisão de alta segurança próxima a Medellín, dentro do processo de paz que o grupo desenvolve com o Governo desde 2003, no qual mais de 31 mil combatentes se desmobilizaram.
O líder das AUC, um criador de gado da região de Córdoba descendente de italianos, é o primeiro líder a ir aos tribunais em aplicação da Lei de Justiça e Paz que foi promulgada para a reinserção dos paramilitares desmobilizados.
Embora não tenha sido divulgado o conteúdo de seu primeiro depoimento, fontes judiciais disseram que há 650 denúncias de vítimas de crimes contra Salvatore Mancuso.
O líder paramilitar é acusado em vários processos penais que podem impedir o benefício, previsto na lei, de uma redução da pena, como um massacre ocorrido em 1997, no qual os paramilitares assassinaram 15 pessoas em Ituango (Antioquia).
Seu depoimento também causa expectativas por que Mancuso pode revelar possíveis conexões com políticos
