Dirigente do Fatah: Oposição a pleito pode gerar 'rio de sangue'
EFE
JERUSALÉM - Um dirigente do movimento Fatah, Sufian Abu Saida, disse nesta segunda-feira à rádio pública israelense que correrá "um rio de sangue" se o Movimento Islâmico Hamas se opuser à antecipação das eleições na Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental, anunciada pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas.
Abu Saida afirmou também que o cessar-fogo pactuado por Fatah e Hamas, após mais de uma semana de violentos incidentes entre seus milicianos, não está sendo respeitado cabalmente e que os incidentes continuam.
Os enfrentamentos chegaram ao seu ponto máximo no último fim de semana, precisamente depois que Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), anunciou sua intenção de antecipar as eleições menos de um ano após do pleito nos qual o Hamas venceu nas urnas os candidatos do movimento nacionalista Fatah.
- Sempre que não se solucione o problema político e que o Hamas mantenha suas forças nas ruas da Cidade de Gaza haverá atritos - previu Abu Saida em alusão às "forças auxiliares", uma milícia de cerca de três mil fundamentalistas palestinos que operam paralelamente às forças de segurança da ANP, em sua grande maioria do Fatah.
- Quem acha que haverá eleições sem acordo entre as duas partes se equivoca e, se o Hamas se opuser, será responsável por um rio de sangue caso não sejam realizadas - indicou o dirigente do Fatah.
O presidente Abbas ainda não fixou uma data para convocação do pleito, mas o Governo de Ismail Haniyeh, seu adversário político, e a direção do Hamas já anunciaram que seus ativistas e simpatizantes não irão às urnas, pois a antecipação "é ilegal e antidemocrática".
Segundo o presidente da Comissão Central de Eleições, Hanna Nasser, que se reuniu ontem com o presidente Abbas, o pleito poderiam acontecer dentro de quatro meses, o tempo necessário para atualizar o censo eleitoral e organizá-lo.
