Grupos pró-Rússia anunciam vitória do 'sim' em referendos sobre anexação de territórios ucranianos

ONU afirmou que consultas são 'ilegais' no direito internacional

Por JORNAL DO BRASIL

Referendos não são reconhecidos por nenhum órgão internacional

As autoridades pró-Rússia informaram que os referendos de anexação nas regiões ucranianas de Lugansk, Donetsk, Zaporizhzhia e Kherson tiveram vitórias do "sim" após a apuração finalizada nessa terça-feira (27).

Nas duas primeiras, ambas localizadas na área do Donbass e que já se autodeclaram repúblicas, os percentuais de aprovação foram de 98,52% e de 94,75%, respectivamente. Já nas outras duas, ao sul da Ucrânia, os eleitores deram aprovação para a independência e anexação com 93,11% e 87,05%.

No entanto, nenhum organismo internacional ou país reconheceu a realização dos referendos, chamados de farsas tanto pela Ucrânia como por outras potências mundiais. Até mesmo a China, em uma crítica indireta ao aliado russo, afirmou nos últimos dias que a integridade territorial dos países deve ser "respeitada".

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que os referendos de anexação feitos são "um crime".

"As pessoas foram obrigadas a votar enquanto eram ameaçadas com as armas e os resultados foram preparados com grande antecipação. Cada anexação é um crime. A anexação coloca Putin sozinho em frente a toda a humanidade", disse em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU.

O mandatário ainda acrescentou que, depois desse ato, não há mais nada para debater com o líder russo, Vladimir Putin.

"A Rússia despreza já há tempos a Carta das Nações Unidas. A Rússia infringe todas as regras desse mundo. É só uma questão de tempo para que destrua essa última instituição internacional que ainda pode agir. A exortação é para agir agora", acrescentou aos presentes.

A própria ONU se manifestou nesta terça afirmando que os referendos são "ilegais".

"Eles ocorreram durante um conflito armado ativo, em áreas sob controle de Moscou, fora do quadro jurídico e constitucional da Ucrânia. Não podem ser definidos como uma expressão genuína da vontade popular", disse a chefe de Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo.

"Ações unilaterais para tentar dar uma pátina de legitimidade à tentativa de aquisição à força por parte de um Estado do território de outro Estado não podem ser consideradas legais no direito internacional", acrescentou.

O Kremlin se defende dizendo que os processos foram "transparentes", mas é consenso internacional que Moscou realizou os referendos para tentar ampliar os conflitos - já que agora qualquer tentativa de Kiev de retomar as áreas sob controle russo desde fevereiro pode ser considerado um ataque direto à Rússia. (com agência Ansa)