Human Rights Watch acusa forças russas de 'aparentes crimes de guerra' na Ucrânia
'Estupro, assassinato e outros atos violentos contra pessoas sob custódia das forças russas devem ser investigados como crimes de guerra', diz nota
Um importante grupo de direitos humanos disse neste domingo (3) que documentou o que descreveu como "aparentes crimes de guerra" cometidos por forças militares russas contra civis na Ucrânia.
A Human Rights Watch (HRW) divulgou um comunicado dizendo ter encontrado "vários casos de forças militares russas cometendo violações das leis de guerra" em regiões controladas pela Rússia, como Chernihiv, Kharkiv e Kiev.
A declaração, publicada em Varsóvia, veio um dia depois que civis mortos foram encontrados espalhados pelas ruas da cidade ucraniana de Bucha, três dias depois que o exército russo recuou após um mês de ocupação da área de 30 quilômetros, a noroeste de Kiev.
O Ministério da Defesa russo em Moscou não respondeu imediatamente a um pedido de comentário quando perguntado no domingo sobre os corpos encontrados em Bucha e a declaração da HRW.
O Kremlin diz que sua "operação militar especial" visa a degradar as forças armadas ucranianas e visa instalações militares e não realiza ataques a civis.
Questionado sobre alegações de crimes de guerra em 1º de março, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse em uma teleconferência com repórteres: "Negamos categoricamente isso". Ele rejeitou as alegações de ataques russos a alvos civis e o uso de bombas de fragmentação e bombas a vácuo como falsas.
O porta-voz do Ministério da Defesa, Igor Konashenkov, disse em 21 de março que a operação da Rússia estava sendo realizada por forças profissionais e bem armadas, e negou as alegações ucranianas de que as forças russas atingiram quaisquer objetos civis.
A HRW, com sede em Nova York, se referiu a Bucha em seu comunicado, para o qual disse ter entrevistado 10 pessoas, incluindo testemunhas, vítimas e moradores locais, pessoalmente ou por telefone e que alguns estavam com medo de dar seus nomes completos.
“Os casos que documentamos representam crueldade e violência indescritíveis e deliberadas contra civis ucranianos”, disse Hugh Williamson, diretor da HRW para Europa e Ásia Central.
“Estupro, assassinato e outros atos violentos contra pessoas sob custódia das forças russas devem ser investigados como crimes de guerra.”
Estes, disse, incluíam um caso de estupro repetido; dois casos de execução sumária - um de seis homens - e outros casos de violência ilegal e ameaças contra civis entre 27 de fevereiro e 14 de março de 2022.
"Os soldados também foram implicados em saquear propriedades civis, incluindo alimentos, roupas e lenha. Aqueles que cometeram esses abusos são responsáveis por crimes de guerra", disse o relatório.
A Reuters não conseguiu verificar imediatamente as evidências da HRW.
Jornalistas da Reuters visitaram Bucha no sábado, depois de terem recebido acesso das forças ucranianas que recapturaram a área, e viram corpos sem uniformes militares espalhados pelas ruas.
A HRW disse em 4 de março que as forças russas em Bucha "prenderam cinco homens e executaram sumariamente um deles".
A nordeste de Kiev, na região de Chernihiv, segundo o relatório, as forças russas em Staryi Bykiv prenderam pelo menos seis homens em 27 de fevereiro, depois os executaram. Citou a mãe de um dos homens, que disse que estava por perto quando seu filho foi capturado e que mais tarde viu os corpos de todos os seis homens.
A HRW disse que todas as partes do conflito armado na Ucrânia são obrigadas a respeitar o direito internacional e as leis da guerra.
“A Rússia tem a obrigação legal internacional de investigar imparcialmente supostos crimes de guerra cometidos por seus soldados”, disse Williamson. (com agência Reuters)
