ONU quer ajudar Venezuela

Guterres fala em ajudar no conflito; EUA e Rússia voltam a se enfrentar

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Antonio Guterres, Secretário-Geral da ONU, discursa na abertura de cúpula da União Africana, em Adis Ababa, na Etiópia

ADIS ABEBA - Presente na abertura da cúpula da União Africana (UA), o Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres, disse a jornalistas estar disposto a "ajudar" na crise da Venezuela. Na sede da ONU em Nova York, mais um embate entre Estados Unidos e Rússia aconteceu no Conselho de Segurança.

"A ONU e eu pessoalmente oferecemos ajuda para a realização de negociações sérias, que possam tirar o país do confronto atual", disse Guterres. Com a declaração, o Secretário-Geral reafirma a disposição da ONU em ajudar na mediação do conflito, caso haja solicitação de ambas as partes. No mês passado, o presidente Nicolás Maduro pediu ajuda a Antonio Guterres para reestabelecer um diálogo com a oposição. Enquanto o opositor Juan Guaidó já afirmou que não vai se submeter a "diálogos falsos" com o chavista.

Na quarta-feira, o porta-voz das Nações Unidas, Stephane Dujarric, pediu que a ajuda humanitária na Venezuela não fosse "politizada" e cobrou que as partes entrem em diálogo: "ações humanitárias devem ser independentes de objetivos políticos ou militares. E quando olhamos para a situação atual fica ainda mais claro que sao necessárias negociações sérias para encontrar uma solução que traga a paz para o povo da Venezuela".

A Venezuela também teve espaço no discurso do líder palestino Mahmoud Abbas na cúpula da União African que pediu à organização que apoie uma "Conferência Internacional de Paz", para debater a questão Israel-Palestina e a situação do país latino-americano. É possível que a organização saia do encontro com uma posição formal sobre a Venezuela, principalmente após um bloco formado por 16 países da África Austral - entre eles África do Sul - ontem declarar apoio a Nicolás Maduro e considerar o reconhecimento de Juan Guaidó por outros países como "violação do direito internacional".

Embate no Conselho de Segurança

Apesar do clima de conciliação que as autoridades da organização buscam promover, a Rússia e Estados Unidos voltaram a se enfrentar no Conselho de Segurança da entidade por conta da Venezuela. Em sessão realizada ontem, os dois países fizeram mais uma "guerra de projetos".

Na proposta americano, o Conselho daria "pleno apoio" à Assembleia Nacional venezuelana - único poder do país comandado pela oposição. Além disso pediria um "processo político que conduza a eleições presidenciais livres, justas e confiáveis" apotando "profunda preocupação diante da violência e do uso excessivo da força por parte das forças de segurança venezuelanas contra manifestantes pacíficos não armados". O rascunho irritou os russos, que devem usar seu poder de veto quando for levado à votação.

Em resposta, Moscou apresentou um texto alternativo pedindo "um acerto da situação atual através de meios pacíficos" e apoiando "todas as iniciativas dirigidas a encontrar uma solução política entre os venezuelanos, incluindo o Mecanismo de Montevidéu". Esse mecanismo é promovido pela Comunidade do Caribe (Caricom) e por México, Uruguai e Bolívia.

Queda de braço humanitária

Um dos "cérebros" da nova estratégia "linha dura" do governo americano para a Venezuela, Mauricio Claver-Carone, comentou ontem sobre a disputa sobre a ajuda humanitária à Venezuela e afirmou que "o fim de Maduro é irreversível". Em entrevista coletiva, o Assessor de Segurança Nacional para o Hemisfério Ocidental de Donald Trump disse acreditar que "não há um único cenário" em que "Nicolás Maduro e seus amigos" sejam capazes de se manter no poder da Venezuela e afirmou que "a ajuda humanitária vai entrar": "falo porque estamos agora criando um 'cerco humanitário', para depois entrar".

O autoproclamado presidente interino Juan Guaidó também falou ontem sobre o bloqueio. e classificou a posição das forças armadas como "ridícula" e disse que os militares estão cometendo um "crime contra a humanidade". O governo rejeita os suprimentos e diz que a crise humanitária é um factóide criado pela oposição.