Venezuela: 'Crise humanitária é factóide'
Chavistas se revoltam com interesse de Guaidó em intervenção e negam oferta humanitária dos EUA
CARACAS - Uma entrevista dada pelo líder oposicionista venezuelano Juan Guaidó repercutiu no país e nos Estados Unidos. O parlamentar disse na sexta-feira "não descartar intervenção militar". A vice-presidente Delcy Rodríguez, condenou a declaração pedindo para Guaidó "deixar a loucura" e dizendo que uma crise humanitária se trata de "uma grande mentira".
Horas depois da polêmica entrevista do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez chamou o opositor à "reflexão". "Dizemos ao autoproclamado: reflita e se coloque do lado correto da história. Deixe de loucura, deixe de entregar os recursos e os ativos que pertencem ao povo da Venezuela", disse em um ato em apoio à Maduro em Caracas.
A vice-presidente também deu ontem uma entrevista à emissora russa "RT" e afirmou que a ajuda humanitária é um factóide. "Na Venezuela não há crise humanitária, na Venezuela há feridas sociais causadas pelo bloqueio estabelecido contra nós. O governo revolucionário do presidente Nicolás Maduro está atendendo diretamente aos setores mais vulneráveis, aos setores que foram mais afetados", declarou.
Para Rodríguez, a solução não é pelos suprimentos ofertados pelos EUA, mas pelo diálogo. "O que a Venezuela precisa é um diálogo nacional entre o governo e a oposição. O que o impede é a ordem que faz o governo de Donald Trump de não buscar o diálogo, mas sim a guerra. Nós dizemos sim ao diálogo, não à guerra", disse.
Guaidó, que já disse que não há possibilidade de diálogo com Nicolás Maduro, afimou na sexta-feira em entrevista à agência AFP que "faria tudo que tiver que fazer" para "cessar a usurpação" do presidente Nicolás Maduro, não descartando uma intervenção militar no país. "Faremos tudo que for necessário, tudo que tivermos que fazer, para salvar vidas humanas, para que não continuem morrendo crianças ou pacientes renais. Vamos fazer o que for que tenha menor custo social, que gere governabilidade e estabilidade para poder atender a emergência", afirmou o parlamentar.
Em resposta, Nicolás Maduro disse que os militares estão preparados para impedir uma intervenção. "Nossas forças armadas estão mobilizadas e em permanente preparação para a defesa do legado histórico dos libertadores da pátria. Na Venezuela não permitiremos nenhuma intervenção, muito menos uma guerra civil", publicou em seu Twitter.
Maduro também exaltou o "mecanismo de Montevideu", criado por Uruguai, Bolívia e pelo Caricom e deixou as portas abertas para um diálogo com o Grupo Internacional de Contato (GIC), criado pela União Europeia e formado por europeus e latino-americanos, apesar e criticar o "teor intervencionista" da declaração emitida pelo GIC.
A entrevista de Guaidó também repercutiu no Congresso Americano. Ro Khanna, legislador democrata pela Califórnia, disse que o venezuelano "não pode autorizar intervenções militares dos EUA". "Somente o Congresso Americano pode e nós não o faremos", tuitou. Os democratas entraram em consenso com os republicanos pelo reconhecimento do oposicionista como presidente encarregado do país, mas são contrários a uma intervenção.
