'Acusar príncipe é excesso'
WASHINGTON - Em resposta à denúncia feita pela ONU de envolvimento direto de autoridades da Arábia Saudita na morte do jornalista Jamal Khashoggi, o ministro de Assuntos Exteriores do país, Adel Al Jubeir, disse que o príncipe Mohamed bin Salman "não está envolvido" e culpá-lo é cruzar "uma linha vermelha".
Ontem, Al Jubeir regiu de forma enfática à denúncia da relatora especial da ONU sobre execuções extrajudiciais, Agnès Callamard. "Sabemos que não foi uma operação autorizada. Não foi dada nenhuma ordem para conduzi-la", declarou o saudita.
Segundo o chanceler, as acusações tem um caráter intervencionista: "É como se disséssemos a outro país: 'Queremos que mude seu primeiro-ministro, queremos que limite os poderes de seu presidente'. É grotesco".
Al Jubeir disse ainda que o país está investigando o crime e rejeita sanções: "Esses tipos de medidas não são necessárias porque estamos fazendo a coisa certa. Estamos investigando e incriminando as pessoas responsáveis" pelo assassinato.
Segundo a inteligência dos EUA, o príncipe chegou a falar para um assessor que usaria uma "bala" para parar Khashoggi, jornalista saudita do "The Washignton Post" crítico à monarquia.
A denúncia de Callamard não acusa diretamente o príncipe, mas fontes ligadas à perita dizem que ela suspeita do príncipe Salman.
