Maduro toma posse e fala direto ao Brasil

Presidente venezuelano ataca a direita, chama Bolsonaro de fascista e fala em "novo começo"

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Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

CARACAS - Em discurso de posse na tarde de ontem, após o juramento no Tribunal Superior de Justiça da Venezuela, o presidente Nicolás Maduro se comprometeu a corrigir erros e convocou uma cúpula da América Latina e Caribe. Criticou, ainda, a onda de extrema-direita no continente, chamando o presidente brasileiro Jair Bolsonaro de “fascista”.

A posse de Maduro foi marcada por forte pressão internacional. Diversos países já haviam definido que não reconheceriam o mandato por discordar do processo eleitoral de maio de 2018. A Organização dos Estados Americanos (OEA), em reunião simultânea à posse, definiu a ilegitimidade do novo governo perante a entidade.

O chavista não deixou de lado a firme retórica, mas pregou um “novo começo da revolução bolivariana” com três pilares: consolidação da paz, recuperação econômica e combate à corrupção. “Quero mudar tudo que tiver que ser mudado para melhorar a vida do povo”, afirmou.

Maduro disse estar disposto a “discutir abertamente” a questão da Venezuela em cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), formada por todos os países da América, com exceção de EUA e Canadá. “Propus em várias ocasiões a convocação dessa cúpula para discutir todas as questões face a face. Ratifico, hoje, a proposta”, desafiou.

O presidente clamou “que se escute a Venezuela” e exaltou o “diálogo entre a diversidade” para superar a “intolerância ideológica de direita”, em meio a uma onda conservadora no continente. Também comparou a oposição venezuelana a Jair Bolsonaro: “a direita venezuelana infectou a América Latina e fez surgir, por exemplo, o fascista Jair Bolsonaro”.

Essa não é a primeira polêmica entre Maduro e o presidente brasileiro. Ao ser convidado (e desconvidado) para a posse no Brasil, o chavista disse que “jamais participaria”. Nas eleições brasileiras, Bolsonaro usou o país vizinho por diversas vezes como um exemplo negativo.

O mandatário ainda teve a reafirmação do apoio da Força Armada da Venezuela. Os militares haviam sido provocados pelo Parlamento (comandado pela oposição) a não reconhecer o novo governo, mas juraram lealdade “absoluta”.

Confusão no Brasil

A presença de Gleisi Hoffman, presidente nacional do PT, na posse, ganhou destaque no Twitter, e o nome da senadora chegou a estar presente nos assuntos principais da rede social. O deputado Eduardo Bolsonaro passou a manhã “denunciando” a presença da parlamentar, enquanto Luciana Genro, candidata presidencial do PSOL em 2014, chamou de “esquerda mofada” os apoiadores de Maduro. Em nota, Gleisi afirmou que “o respeito à soberania dos países é um princípios do qual o PT não abre mão”.

O clima também foi tenso na frente do Consulado Geral da Venezuela no Rio. Apoiadores e opositores de Maduro realizaram ato, e diversas mensagens contra os Estados Unidos e contra o presidente venezuelano foram vistas. Houve confusão e cartazes rasgados.