FBI entrega investigação sobre Kavanaugh ao Senado
Para democratas, processo está "incompleto"
A Comissão do Senado norte-americano que avalia a nomeação do juiz Brett Kavanaugh à Suprema Corte do país anunciou na madrugada desta quinta-feira (3) que recebeu a investigação do FBI sobre as acusações de abuso sexual contra juiz.
"Não há indícios de má conduta", disse o o senador republicano Chuck Gassley, que é o presidente da comissão. A decisão final só será conhecida após todos os parlamentares lerem o relatório, ao que se seguirá uma votação sobre como o processo deve ser concluído, nesta sexta-feira (5). Caso não haja surpresas, Kavanaugh já pode ser oficializado no Suprema Corte neste sábado (6).
Os democratas afirmam que o processo de está "incompleto". "É uma investigação muito limitada, a parte mais relevante é aquela que não está nos autos", disse a senadora Dianne Feinstein, criticando o fato de Kavanaugh e uma das mulheres que o acusam de abuso, Christine Blasey Ford, não terem sido ouvidos pelos agentes.
"Os fatos não suportam as acusações movidas contra o juiz Brett Kavanaugh. Ao contrário, muitos deles suportam agora uma forte e inequívoca desmentida", afirmou o líder republicano no senado, Mitch McConnel. "Nenhuma das acusações é confirmada por sete investigações", acrescentou, acusando os democratas de tentarem difamar um "grande homem".
Kavanaugh foi acusado pela primeira vez pela professora de psicologia da Universidade de Palo Alto da Califórnia, Christine Blasey Ford, a qual alega que o juiz a agrediu sexualmente durante uma festa quando os dois ainda eram adolescentes no Ensino Médio. "Não questiono que a doutora Ford tenha sido atacada sexualmente por alguém em algum lugar em algum momento. Mas não por mim. Nunca ataquei ninguém", afirmou o magistrado, acrescentando que não deseja mal a acusadora.
De acordo com Ford, no dia da festa, no início dos anos 1980, Kavanaugh e seu amigo, Mark Judge, estavam bêbados quando a imobilizaram. "Eu fui empurrada para a cama e Brett ficou em cima de mim. Ele começou a passar as mãos sobre o meu corpo e esfregar seu quadril em mim", relembrou.
A psicóloga também afirmou que chegou a gritar para pedir ajuda, mas não foi ouvida. Ela declarou ter esquecido alguns detalhes do incidente, mas tem certeza absoluta que Kavanaugh é culpado. "Por muito tempo, fiquei com muito medo e vergonha de contar os detalhes para alguém. Eu não queria dizer aos meus pais que eu, aos 15 anos, estava em uma casa sem nenhum pai presente, bebendo cerveja com os meninos. Eu tentei me convencer de que Brett não me estuprou, de que eu deveria ser capaz de seguir em frente e fingir que isso nunca aconteceu", ressaltou.
Outras duas mulheres acusaram o juiz de agressão sexual. Deborah Ramirez, uma antiga colega de Kavanaugh na Universidade de Yale, acusa o juiz de forçá-la a tocar suas partes íntimas durante uma festa nos anos 1980. Outra ex-estudante, Julie Swetnick, afirma que foi vítima de um estupro em grupo durante uma festa em que o magistrado e Mark Judge estavam presentes.
Para ser aprovado, Kavanaugh precisa de maioria simples no Senado, o que representa pelo menos 60 votos. O partido republicano, que apoia a indicação do presidente Donald Trump, tem 51 senadores, dos quais três ainda se consideram indecisos.
Os votos restantes podem vir da bancada democrata e dos dois senadores independentes da Casa. Em caso de empate, quem decide é o vice-presidente norte-americano Mike Pense.
