Campo de golfe: falta um Ministério Público atento e firme
Em nome de reintroduzir o golfe nos Jogos Olímpicos, o prefeito Eduardo Paes está propondo mudar a legislação sobre meio ambiente, liberar para o mercado imobiliário uma área que hoje é preservada e modificar o gabarito na região, permitindo a construção de 22 torres com 22 andares cada uma e sabe-se lá quantos imóveis. Tudo isto, certamente trará outros danos ambientais à região da Barra da Tijuca, notadamente na questão do saneamento.
O custo da construção do campo de golfe almejado pela prefeitura ficaria, a princípio, em R$ 60 milhões. Um dinheiro que, é verdade, será bancado pela iniciativa privada, notadamente a RJZ Cyrela. Mas, esta, em troca, terá direitos sobre a exploração dos 22 torres a serem erguidas na atual área de preservação.
Hoje, no Rio, há dois clubes de golfe, o Gávea, com 600 sócios e três mil dependente, e o Itanhangá, com 800 sócios proprietários e perto de 4 mil dependentes. Se sócios e dependentes forem todos adeptos do esporte, o que está longe de acontecer, não somam 10 mil jogadores de golfe na cidade do Rio.
No fundo, será para esta pequena elite que o prefeito da cidade quer fazer todas estas mudanças significativas na legislação, no meio ambiente e na área urbanística, ainda que use a justificativa das Olimpíadas como biombo. Beneficiará também os moradores dos prédios no em torno do campo, valorizando de antemão os lançamentos da Cyrela.
Na época dos preparativos dos Jogos Pan-americanos, o então prefeito César Maia, tendo ao lado o mesmo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, que hoje endossa a iniciativa do campo de golfe, a pretexto de facilitar as competições de lanchas cismou em construir uma garagem náutica junto à Marina da Glória.
Para isto, modificavam a legislação, atropelavam o meio ambiente e também o patrimônio cultural, pois se trata de área tombada. Foi preciso a intervenção firme do Ministério Público Federal para impedi-lo o que, diga-se, em nada atrapalhou as competições, durante o Pan-americano, em nome das quais se tentava justificar as atrocidades.
Pelo jeito, nesta questão do campo de golfe está faltando um Ministério Público atento e firme.
