Milícia eletrônica

Por IGOR MELLO

A presidente Dilma Rousseff não foi a única a ter sua intimidade violada por arapongas. Nas 150 páginas de um dossiê que o deputado Miro Teixeira recebeu de sua fonte e encaminhou ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, há extratos de contas telefônicas, com números chamados e ligações recebidas de diversas pessoas, entre elas de 15 a 20 deputados federais.

Os documentos foram obtidos junto a um araponga que tentou "vender" seus serviços à fonte de Miro. O possível comprador fez-se de bobo e surpreso, pedindo comprovação da capacidade profissional do araponga que, aos poucos passou os papéis e citou detalhes sobre a quebra de sigilo fiscal, em 2010, da então candidata e hoje presidente da República. 

Por conta dos documentos também conterem dados de deputados, Miro também remeteu cópia dos documentos ao presidente da Câmara, Marco Maia. 

O que o assusta é o fato de qualquer cidadão correr o risco de ter a vida pessoal revirada por arapongas, que Miro diz formarem a "milícia eletrônica", seja por uma briga conjugal, seja por um desentendimento qualquer ou mesmo quando de uma disputa comercial, envolvendo ou não entes governamentais.

O ministro Cardozo evitou comentar a questão, mas sua assessoria confirmou que todos os papéis foram encaminhados à Polícia Federal que abrirá a devida investigação.