Adeus, Clô Orozco: com elegância, a assinatura forte da 'rainha do nude'
Coluna presta tributo à estilista que, por mais de 30 anos, ajudou a fortalecer a moda brasileira
Estive com Clô Orozco pela última vez em outubro. O encontro foi no apartamento de Regina Martelli, que convocou os amigos para um almoço em homenagem a Paulo Borges. Clô pegou a ponte aérea e estava linda, como sempre, com aqueles óculos chiques e cabelinho curto. Até esboçando um simples sorriso ela era chique.
Estavam lá os amigos Lenny Niemeyer, Zau, Toni Oliveira, Guiga Soares, Naná Paranaguá, Regina Casé, Jackie de Biase, Jackie Sperandio, André Ramos e Bruno Chateuabriand, Flávia Sampaio, Léo Araujo, Carlos Tufvessson.
Clô estava perto quando engatei uma conversa com Tufvesson sobre o Conselho Municipal de Moda, recentemente criado no Rio. Tufvesson falava sobre os gastos absurdos dos empresários da moda com impostos. Clô ouvia tudo atenta e com ar introspectivo. Manifestou-se apenas com um comentário: estava cada vez mais difícil fazer moda no Brasil.
Uma constatação talvez um pouco óbvia diante de todos nós que acompanhamos a maratona das semanas de moda. Talvez surpreendente àqueles que não são tão íntimos com este universo. Mas, sem dúvida alguma, um fardo difícil de ser sustentado por um ser cuja relação com a moda, acima de qualquer menção a 'business', se dava pela criatividade, entrega criativa e personalidade em cada peça desenhada.
Com sua assinatura sóbria, Clô transformou seu estilo em sinônimo da mulher brasileira elegante, amante do 'nude', discreta e, acima de tudo, independente. Traços que um artista somente consegue inserir em um universo tão cruel como o da moda graças à excelência de sua trajetória.
Ao largo de qualquer crise financeira que possa ter abatido o caminho profissional de Clô (e consequentemente ter gerado seu estado depressivo), este é o momento de exaltarmos cada minuto que foi gasto pela artista em nome de uma moda original, sem cópias, sem plágio, sem repetições. Dentro de sua proposta 'low profile' nas passarelas, Clô imprimiu, por mais de 30 anos, uma assinatura forte, cuja ausência será sentida por invernos e verões adentro.
