Governo apoia movimento para tirar Marin antes da Copa, diz jornal
Reportagem publicada nesta sexta-feira(22) no jornal Valor Econômico afirma que uma articulação envolvendo integrantes da própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Fifa, e com respaldo do governo brasileiro, caminha para fazer com que o presidente da entidade, José Maria Marin, deixe o cargo antes do previsto e não seja seu dirigente durante a Copa do Mundo de 2014.
Segundo o jornal, "a ideia é que o próximo presidente da CBF escolhido nas eleições previstas para abril de 2014 assuma o cargo logo na sequência, e não apenas em janeiro de 2015, conforme previsto atualmente". Os possíveis sucessores seriam o atual vice da CBF, Marco Polo del Nero e o ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanches. "Segundo fontes, Marin, Del Nero e Sanches sabem das movimentações. Tanto que Sanches recrudesceu recentemente as críticas a Marin", diz a reportagem.
A reportagem afirma que "a antecipação da saída de Marin permeou as rodas nesta semana na Suíça, durante a reunião do comitê executivo da Fifa. Segundo fontes, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e o secretário-geral, Jérôme Valcke, puxaram a discussão com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo". Os motivos seriam os "sucessivos constrangimentos de Marin na presidência da CBF", que causariam "muita instabilidade na Fifa, na CBF e na organização da Copa".
Segundo o Valor, exemplo recente foram as sequências de áudios vazados na internet que mostram uma pessoa que supostamente seria Marin se irritando com interlocutores que estariam fazendo negociatas em seu nome com federações estaduais. Em outro áudio, Marin critica Aldo Rebelo, ao afirmar que o poder do ministro é limitado e que não tem liberdade com a presidente Dilma Rousseff. A CBF alega que há manipulação nos áudios.
O passado de Marin, ligado à ditadura militar, também pesaria. "Tanto que a presidente nunca o recebeu", diz o Valor.
O jornal aponta que Del Nero seria o favorito para sucessão. Andrés Sanches, no entanto, por ser filiado ao PT e amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seria o candidato da oposição. Sanches teria ainda o apoio do presidente da Comissão de Esportes da Câmara dos Deputados, Romário (PSB-RJ), que na quarta-feira (20) chegou a pedir a prisão de Marin.
