Virada sobre São Paulo não apaga fracassos recentes, diz Oswaldo
Nada mais natural para um treinador do que usar uma vitória de virada contra um time grande e postulante ao título, logo na abertura do Campeonato Brasileiro, para definitivamente virar a página e esquecer dos fracassos no Campeonato Carioca e Copa do Brasil, correto? Não na opinião de Oswaldo de Oliveira, que neste domingo comandou o triunfo alvinegro sobre o São Paulo, por 4 a 2, no Engenhão.
Para o treinador do Botafogo, as duas derrotas para o Fluminense na final do Carioca e a eliminação em casa diante do Vitória, no mata-mata do torneio nacional, fazem parte de um aprendizado, que não pode simplesmente ser ignorado com a vitória sobre o time paulista.
"É um primeiro jogo, e é ótimo ganhar do São Paulo, que continua sendo um dos grandes candidatos ao título. Foi muito importante, mas é só um ponto de partida. A continuidade que eu falei vai prosseguir no campeonato, não podemos achar que por causa disso apagou tudo. Este foi meu discurso com os jogadores", resumiu o treinador.
Nem o fato de Oswaldo mandar para campo um time desfalcado do volante Marcelo Mattos e do zagueiro Antônio Carlos, além de promover a estreia de Vitor Júnior como titular no lugar de Elkeson, diante de um São Paulo com força máxima, serviu para que o técnico enxergasse as frustrações como algo já no passado do Botafogo.
"Não podemos residir nossa moral em uma partida. Claro que não ganhamos de uma equipe qualquer. Se eu escolhesse três times como candidatos ao título, o São Paulo certamente seria um deles", repetiu. "Mas não podemos localizar nessa vitória a história de 38 jogos, temos muito o que fazer ainda", completou.
Para fazer muito mais, o comandante botafoguense conta com o apoio da torcida. Na vitória contra o time tricolor, apenas sete mil torcedores estiveram no Engenhão. Torcida pequena, mas que entendeu o momento do time e aplaudiu seus jogadores, ao invés das costumeiras vaias quando algo não dá certo no gramado.
"Tem gente que precisa de terapia e vem aqui e descarregar na gente", ponderou Oswaldo. "Eu acho que eles sentiram que não adianta mais a gente ficar esperando aqui o Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagallo. É uma glória inesquecível, mas o que a gente não pode é transferir para os (jogadores) de agora o que os do passado fizeram. Eu acho que, finalmente, nós chegamos à conclusão de que essa é a única maneira, não existe time vitorioso sem a torcida apoiando", completou o treinador.
