Tênis: Jaime Oncins relembra "parque de diversões" na Vila Olímpica
Considerado por muitos o melhor tenista antes da Era Gustavo Kuerten, Jaime Oncins se aposentou há onze anos, mas ainda não largou o esporte. Jaiminho, como ficou conhecido, agora treina o português Gastão Elias e ainda dá aulas em sua escola de tênis em Valinhos, interior de São Paulo. Em entrevista ao Terra, ele lembrou a sensação de "parque de diversões" quando esteve pela primeira vez na Vila Olímpica, nos Jogos de Barcelona 1992.
"Eu quase perdi na primeira rodada porque 'esqueci' que tinha que jogar. Ficava muito tempo no refeitório observando os atletas que só via na televisão, parecia um Parque de diversões", disse. "Por exemplo, via os atletas do judô, as meninas da ginástica mais pequenas e fortes, os jogadores de basquete que eram gigantes, entre outros", afirmou o agora treinador.
O ex-tenista disputou duas Olimpíadas. Em Barcelona 1992 jogou a chave de simples e em Sydney 2000 atuou ao lado de Guga nas duplas. A melhor campanha de Oncins ocorreu em sua primeira participação. Na Espanha, mesmo com apenas 22 anos, Jaiminho obteve um resultado impressionante e chegou às quartas de final.
A partida que culminou sua eliminação foi contra o russo Andrei Cherkasov, por 3 sets a 2. Mesmo sem medalha, Oncins ganhou destaque após a segunda rodada em Barcelona. Ele venceu o americano Michael Chang, top 10 do ranking na época e vencedor de Roland Garros em 1989.
Treinador do português Gastão Elias, atual número 197 do ranking da ATP, há um ano e meio, Oncins tenta passar um pouco de sua experiência para o atleta de 21 anos. "Mostrar a experiência dentro da quadra, mostrar o que passa na cabeça de um jogador profissional", explicou.
Copa Davis
Jaime sempre admitiu que a Copa Davis era o torneio que ele mais gostava de jogar. Na competição entre países, o brasileiro chegou a duas semifinais do grupo mundial, em 1992 e 2000. Após a aposentadoria, Oncins admitiu que gostaria de ser o treinador do Brasil em uma campanha dessa competição. Em 2003, ele foi convidado, mas o boicote dos jogadores contra a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) fez com que o ex-atleta recusasse a proposta. Nove anos depois dessa oportunidade, ele não se interessa mais pela Davis.
"Hoje não fica mais na minha cabeça, não fico mais pensando nisso. Tento focar no meu trabalho de treinador com o Gastão da melhor maneira possível", disse Oncins.
Carreira de duplas
Oncins hoje é considerado um dos melhores duplistas que o Brasil já teve. Porém, Jaiminho foi se destacar na categoria após problemas na simples. Ele chegou a ser número 34 do ranking da ATP em maio de 1993, porém sofreu uma queda muito grande e figurou na 130ª colocação no final do mesmo ano. Após isso, seu ranking só foi piorando até ele focar mais na carreira de duplas.
Sobre a queda, o ex-tenista acredita que é "normal dentro do tênis. Tive algumas lesões, problemas particulares, que acabaram mexendo comigo e acabei caindo". Já nas duplas, ele formou parcerias com diferentes atletas, mas o principal foi o argentino Daniel Orsanic. Com isso, Oncins admite que não consegue comparar as duas fases da carreira.
"Dois momentos diferentes. Eu tive alegria na simples e nas duplas, não dá pra dizer qual foi o melhor. E eu consegui desfrutar nos dois e também tive dificuldades nos dois. São coisas distintas", afirmou.
Thomaz Bellucci
Questionado sobre as chances de Thomaz Bellucci se conseguir vaga nos Jogos de Londres, Oncins acredita que o brasileiro vai enfrentar dificuldades, mas que uma medalha "sempre é possível". "Expectativa é a mesma que de um Grand Slam. Esperar o sorteio, cair numa chave e depois ver como fica", disse.
"Medalha sempre é possível. O Bellucci teve bons resultados em Grand Slams, mas depende do momento. O lado negativo é que o torneio será disputado na grama (nas quadras de Wimbledon), e aí pode dificultar um pouco, já que não é um piso favorável ao Brasil", acrescentou.
