Em baixa, Luxemburgo cede e mira novo centro para recomeço
A data era 6 de junho de 2007. A competição era a Copa Libertadores. De um lado, o Santos bicampeão paulista sob o comando de Vanderlei Luxemburgo. Do outro, o Grêmio ascendente sob o comando de Mano Menezes. O time paulista venceu na Vila Belmiro, mas não levou a classificação. Quando o jogo ficou 3 a 1, os gaúchos se aproveitaram da vantagem obtida em casa (vitória por 2 a 0) e jogaram na retranca, sem sofrer mais gols. Uma estratégia que valeu a vaga na final, mas também rendeu críticas de Luxemburgo. Ele disse que jamais abriria mão do jogo bonito em troca do futebol de resultado. Quase cinco anos depois, vivendo uma baixa na carreira, o ex-santista aceitou treinar o Grêmio, time que costuma ir na contramão de tudo que ele sempre pregou no futebol.
Luxemburgo foi técnico de times que praticaram um belo futebol. O Palmeiras da década de 90 é o principal exemplo, mas o pensamento ofensivo também rendeu frutos em Corinthians, Cruzeiro e Santos posteriormente. Apenas recentemente ele passou a admitir o futebol de resultados.
Em 2011, no Flamengo, o time vencia, estava invicto, mas não convencia. Criticado por isso, Luxemburgo mudou a filosofia tradicional e se defendeu: "Futebol bonito só quem pode jogar é o Santos, porque tem jogadores para isso. O outro é o Cruzeiro. E o Inter também. Agora, o Flamengo precisa de resultados. Quando tudo estiver pronto, vamos poder pensar em dar espetáculo", prometeu, mas não cumpriu.
Na ida para o Grêmio, as novidades não vão ficar apenas no estilo de jogo. Afinal, Luxemburgo teve que ceder em diversas questões e terá que lidar com uma nova situação no trabalho. A começar pela cidade. Poucas vezes ele se arriscou fora do eixo Rio-SP. Em Minas Gerais, deu certo com o Cruzeiro, mas fracassou no Atlético-MG. Essa será a primeira vez que treinará no Rio Grande do Sul, onde já foi especulado diversas vezes, mas no Internacional.
Porém, a oportunidade em um novo centro teve um custo: o Grêmio fez Luxemburgo ceder em relação ao contrato. Menos pelo salário, que ainda não está confirmado oficialmente - deve girar em torno de R$ 500 mil, não muito menos do que ele recebia no Flamengo. Muito mais pela duração do acordo.
O treinador não costuma fechar contratos com menos de um ano de duração. Em Flamengo e Atlético-MG, por exemplo, tinha assinado por duas temporadas. O Santos, um pouco antes, foi exceção porque a permanência dele dependia da reeleição de Marcelo Teixeira. Mas na passagem pelo Palmeiras os mesmo dois anos de contrato também foi um pedido do treinador. Agora, tudo mudou e o nível de exigência foi menor - tem acordo apenas até o fim do ano com o Grêmio.
O que causou essa mudança é evidente: Luxemburgo está em um mau momento na carreira. Cinco vezes campeão brasileiro, o treinador não conquista um título importante desde 2004. Depois disso, ainda faturou cinco estaduais, mas isso não evitou que a qualidade passasse a ser questionada. Tanto que até uma das exigências mais simples, a indicação de nomes para a comissão técnica, não tem sido mais atendida. Em Porto Alegre, apesar da informação ainda não ser confirmada, ele deve indicar apenas dois nomes, já que o Grêmio tem uma comissão técnica permanente.
É com todas essas dificuldades e novidades que Luxemburgo tentará revitalizar a carreira. E encontrará novos problemas no próprio elenco, já que o Grêmio está em reformulação. Saíram jogadores que eram titulares em 2011, como Rafael Marques, Fábio Rochemback, Douglas e Escudero; e chegaram reforços que ainda buscam afirmação, como Kleber, Marcelo Moreno, Léo Gago, Souza e o recém-apresentado Facundo Bertoglio.
Com pouco tempo no comando, Caio Júnior não deixou qualquer herança para Luxemburgo. Será um trabalho a partir do zero, mas com a temporada em andamento - outra novidade para ele, que sempre pregou que o ideal é trabalhar na pré-temporada e ter continuidade no cargo.
Mais um desafio para Luxemburgo será vencer em um território de poucas boas lembranças. Em Porto Alegre, ele acumula sete vitórias, dez empates e 14 derrotas. Ou seja, apenas 33% de aproveitamento.
A última vitória na capital gaúcha aconteceu em 2004, quando o histórico Cruzeiro conseguiu vencer o Grêmio no Estádio Olímpico. Quase oito anos depois, ele voltará a Porto Alegre praticamente como um outro treinador, em outra fase, mas em busca do mesmo objetivo. Resta saber se vai conseguir recomeçar a trajetória de vitórias no futebol.
