Brasil e Argentina testam "forças caseiras" e expõem diferenças
As seleções formadas nos últimos anos predominantemente por jogadores que atuam fora do país, Brasil e Argentina têm a oportunidade de testar suas "forças caseiras" a partir desta quarta-feira, quando terá início o Superclássico das Américas (Copa Roca), às 21h50 (de Brasília), no Estádio Mario Alberto Kempes, em Córdoba.
Reedição da Copa Roca, o torneio permite a utilização apenas de jogadores que atuam em times nacionais, situação que, consequentemente, expôs as diferenças encontradas no futebol dos países. Enquanto o Brasil presencia um fortalecimento econômico dos clubes, o que tem permitido a permanência de estrelas, a Argentina continua mais desprotegida do assédio europeu e vê uma escassez de novos talentos atuando em seu território.
Prova disso está na formação titular do duelo desta quarta-feira. São seis jogadores com mais de 29 anos, quatro na casa dos 25 e apenas um, o meio-campista Héctor Canteros, do Vélez, com 22 anos. As duas maiores estrelas do futebol do país no momento, Riquelme e Verón, já passaram da casa dos 30 e aumentariam ainda mais a média de idade se não fossem cortados por lesão.
No time brasileiro, apesar das presenças dos trintões Ronaldinho, Kleber e Renato Abreu, o time titular conta com Danilo e Neymar com menos de 20 anos e o restante dos jogadores na faixa dos 25. No grupo, são nove atletas com idade olímpica, muitos que permaneceram no Brasil graças à possibilidade de seus clubes recusarem propostas tentadoras da Europa.
"Hoje vivemos uma outra situação. Se fizéssemos essa convocação há quatro anos, seria maior a dificuldade de achar jogadores. Existe diferença econômica entre os países e no Brasil já temos uma situação que minimizou bastante a perda de jogadores. Isso é positivo porque você inicia do zero uma formação", disse Mano.
O técnico, no entanto, não quer ouvir falar de favoritismo. "Cresci no Rio Grande do Sul e lá aprendemos que não tem favorito. Quem assume isso (o rótulo de favorito) acaba chamando responsabilidade. Não vai faltar disposição da Argentina, e aqui também não pode faltar. Se acomodar em cima de um favoritismo teórico seria o primeiro passe para perdermos".
Time estrelado x time entrosado
O quadro descrito acima provocou um duelo entre um time com mais individualidades contra outro com mais conjunto. O Brasil terá um ataque formado por Neymar, Leandro Damião e Ronaldinho, jogadores que são apontados pelos argentinos como os mais perigosos do duelo. O santista é considerado a maior revelação do futebol mundial, o colorado já marcou 40 gols na temporada e o flamenguista impõe respeito pelo que já fez no esporte.
A Argentina, por sua vez, entra em campo com seis jogadores do Vélez Sarsfield, atual campeão argentino. O técnico Alejandro Sabella ainda completou o time com três atletas do Estudiantes e espera tirar proveito do melhor entrosamento em relação ao rival. Jogadores de sete times diferentes formam a Seleção Brasileira para quarta.
"A gente sabe que quem consegue ter a base de um time vai minimizar essa questão de entrosamento. Mas acho não será uma vantagem tão significativa", avaliou Mano, que escalou a dupla de volantes do Corinthians, formada por Paulinho e Ralf, com a justificativa de ganhar entrosamento.
Preocupado em não deixar o time muito inexperiente, o técnico brasileiro ainda optou pela entrada de Renato Abreu no meio-campo brasileiro. O veterano Kleber foi escalado na lateral esquerda pelo mesmo motivo. Réver, Dedé e Danilo completam a linha defensiva.
Rivalidade morna e necessidade de vitória
Os dias que antecederam o Brasil x Argentina pouco lembraram um duelo entre os dois países. Faltaram provocações, polêmicas e entusiasmo da cidade de Córdoba. O clima deve mudar nesta quarta, com a expectativa de mais 50 mil pessoas no Estádio Mario Alberto Kempes.
Em descrédito com seus torcedores após as eliminações precoces na Copa América, os dois países precisam da vitória para consolidar trabalhos em estágios diferentes. Alejandro Sabella comandou a Argentina em duas partidas, tendo 100% de aproveitamento. Já Mano vem de vitória conta Gana, mas tem seu trabalho de mais de um ano questionado por torcedores.
Até agora, o técnico brasileiro soma derrotas para França, Argentina e Alemanha e precisa de uma grande vitória para afastar as cobranças. "Na minha opinião é como outro Brasil x Argentina qualquer. Se eles não vão ter jogadores de fora do país, a gente também não. É uma oportunidade de ganhar de um grande adversário sim. É jogo para se ganhar, e não só jogar", disse Mano.
Volta
Previsto para os próximos oito anos, a primeira edição do Superclássico das Américas terá o jogo de volta daqui duas semanas, no dia 28 de setembro, em Belém. O regulamento prevê disputa de pênaltis para decidir o campeão caso as duas seleções marquem o mesmo número de gols na soma das duas partidas.
FICHA TÉCNICAARGENTINA x BRASIL
Local: Estádio Mario Alberto Kempes, em Córdoba (Argentina)Data: 14 de setembro de 2011 (quarta-feir)a Horário: 21h50 (de Brasília)Árbitro: Enrique Osses (Chile)Assistentes: Patricio Basualto e Carlos Astraza
ARGENTINA: Orión; Germán Ré, Seba Domínguez, Desábato e Pillud; Fernández, Canteros, Zapata e Papa; Martínez e Mauro Boselli Técnico: Alejandro Sabella
BRASIL: Jefferson, Danilo, Dedé, Rever e Kleber; Ralf, Paulinho e Renato Abreu; Neymar, Leandro Damião e Ronaldinho Técnico: Mano Menezes
