Técnico não pode se basear na imprensa e na torcida, diz Felipão
Rafael Thomé, Portal Terra
DA REDAÇÃO - "Todo técnico tem que tomar decisões baseado no seu conhecimento e no quer quer para o time". O pentacampeão mundial, Luiz Felipe Scolari, comenta a decisão do técnico Dunga ao não convocar Neymar e Paulo Henrique Ganso e mostra frieza ao falar sobre jogadores portugueses e marfineses, dentre esses, Didier Drogba - atacante que teria feito campanha contra o treinador no Chelsea.
O técnico está de saída do Bunyodkor, do Uzbequistão, com um título nacional a mais no currículo. Em entrevista exclusiva ao Terra, Felipão não descarta voltar ao futebol brasileiro e projeta "a continuidade até 2014, na Copa do Mundo no Brasil, e depois encerrar a carreira".
Confira a entrevista na íntegra:
Terra - Algumas vezes você disse que tem Carlos Froner como ídolo. Froner, nos anos 70, foi o técnico que consolidou a maneira "Grêmio" de jogar futebol, impulsionada por Foguinho no começo dos anos 60. Nos anos 90, esse estilo foi colocado em prática por você. Você enxerga alguma semelhança entre o estilo de Dunga e os gaúchos citados acima?
Felipão - Quem jogou desde seu início no Rio Grande do Sul e foi treinado por técnicos com a cultura gaúcha tem um pouco disso e segue muito esta linha dos nossos antigos e grandes mestres.
Terra - Outro ponto que parece ser comum entre você e Dunga é a famosa "família" formada entre a comissão técnica e os jogadores. Como funciona a montagem de um grupo com essas características e o quão difícil é mantê-lo coeso?
Felipão - Se aqueles que fazem parte do grupo confiam nas palavras e atitudes que ele sempre colocou, não mudando por este ou aquele motivo, forma-se um grupo tão forte que podemos chamar "família".
Terra - Sobre a Copa, como você enxerga o grupo do Brasil, tendo em vista que já treinou a Seleção Brasileira, a seleção portuguesa e alguns jogadores da Costa do Marfim?
Felipão - Trabalhei com muitos jogadores do grupo do Brasil na Copa. E estes atletas das seleções do Brasil, Portugal e Costa do Marfim são excelentes como atletas, com características de jogo diferentes, próprias ao estilo de jogo de seus países, e com atitudes diferentes em relação ao técnico.
Terra - No Brasil, você treinou estrelas como Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo. No Chelsea e em Portugal lidou com Cristiano Ronaldo, Lampard, Terry e Drogba. Há muita diferença no tipo de relação que você tem de ter com as estrelas brasileiras e as estrelas mundiais?
Felipão- A grande diferença entre estes grandes atletas é a cultura, a forma de se conduzirem como pessoas. É a forma de relacionamento com o técnico, o envolvimento com o projeto apresentado e a forma como se conduzem perante as adversidades.
Terra - Para a Copa, Dunga não chamou Ganso e Neymar, apesar do clamor público. Situação parecida com a tua em 2002, em relação ao Romário. O quão prejudicada fica a relação entre técnico, imprensa e torcida?
Felipão - Todo técnico tem que tomar suas decisões, baseado no seu conhecimento e no que quer para o seu time. Não pode pensar em estar de acordo com imprensa, torcida e etc.. Pois os mesmos que exigem este ou aquele, são os mesmos que vão te cobrar se não tiveres decisão nas tuas escolhas.
Terra - Você está deixando o Uzbequistão no meio do ano. Já há alguma sondagem de clubes brasileiros? O Palmeiras passa por um momento conturbado, sem conseguir firmar um técnico. Há possibilidades de vir treinar a equipe do Parque Antártica?
Felipão - Desde que sai em 2003, que a cada seis meses alguém do Brasil me faz um convite para voltar, o que me deixa muito contente. O Palmeiras é um clube que marcou muito e onde tive momentos maravilhosos. Naturalmente que quando resolver voltar ao Brasil, este é um clube que terei muito gosto de ouvir e que ainda sou um dos nomes que o palmeirense gostaria de ver novamente no comando do seu time./p>
Terra - Como você avalia sua passagem na Europa? Ainda tem vontade de dar continuidade à carreira em grandes clube e seleções do continente?
Felipão - Os anos que passei na Europa foram muito bons em todos os sentidos e naturalmente ainda penso em clubes e seleções nacionais. No meu projeto como técnico está a continuidade até 2014, na Copa do Mundo no Brasil, e depois encerrar minha trajetória como técnico de futebol.
