Hotelaria em xeque na África do Sul

Por

Natália da Luz, Jornal do Brasil

CIDADE DO CABO - Organizadores lutam para que indústria hoteleira não superfature pacotes para o Mundial

A África do Sul espera receber no ano da Copa do Mundo cerca de 10 milhões de visitantes, 500 mil a mais do que o país costuma receber anualmente. É claro que nem todos pisam em solo sul-africano para fazer turismo e encher os cofres do país. A maior parte desse gigantesco contingente vem dos vizinhos como Zimbábue, Moçambique, Suazilândia e Lesotho, que deixam suas fronteiras entreabertas facilitando a movimentação diária. Mesmo assim, o acréscimo de 500 mil turistas em um período tão curto encheu os olhos dos empresários. No início do ano, o porta-voz do Turismo Sugen Pillay fez um pedido para que a indústria hoteleira não superfaturasse os pacotes da Copa do Mundo. Uma solicitação que não foi direcionada apenas aos sul-africanos, já que companhias aéreas internacionais chegaram a triplicar o preço das passagens durante a temporada.

Parece ser uma tarefa difícil fugir dos altos preços, com a proximidade do evento. O problema é que os preços abusivos (até 10 vezes a mais em alguns locais) podem gerar uma consequência negativa. Temendo gastos astronômicos, muita gente pode simplesmente desistir de visitar o país da Copa. Para descartar essa possibilidade e má impressão, uma campanha está em vigor na cidade mais turística da África do Sul: a Cidade do Cabo.

Nós não estamos na posição de regular a indústria da hospitalidade, mas acreditamos que a nossa iniciativa é significante. Nossa reputação não pode ser comprometida pela ganância de quem quer capitalizar na Copa do Mundo disse ao JB, Marisah Smith, gerente de Marketing do Cape Town Tourism.

Teto de preços das diárias

A cidade que vai receber oito dos 64 jogos da Copa foi a primeira a emplacar a campanha, na qual autoridades provinciais fixaram preços para a rede hoteleira. O objetivo é fazer com que a indústria (desde albergues a hotéis cinco estrelas) se conscientize e faça da oportunidade de sediar o evento o destino favorito de quem chega à África do Sul pela primeira vez.

Gostaríamos de lembrar que após as Olimpíadas de Sidney e Atenas, as cidades experimentaram declínio no número de visitantes. Vamos concentrar a nossa energia e levantar a voz contra o alto preço disse Marisha

A medida de um turismo responsável encontrou valores justos que variam de 500 a 800 rands (R$ 122 a R$ 196) para bed and breakfast (acomodações mais simples) e 1.900 a 2.400 rands (R$ 464 a R$ 586) para hotéis quatro estrelas. A diária mais alta (cinco estrelas) recebeu o teto de 5000 rands (R$ 1.220). Bem salgado, mas não tanto quanto as diárias inflacionadas nas outras oito cidades-sede. A vice-ministra do Turismo Thokozile Xasa lembrou que o governo não tem como intervir no funcionamento da lei de oferta e procura. Apesar da dificuldade, garantiu que as autoridades estão empenhadas em oferecer um preço justo.

A África do Sul é um destino muito procurado e queremos que continue após a Copa do Mundo. Por isso, estamos investigando os casos onde os preços são abusivos disse ao JB.

Cidade do Cabo é o exemplo para sedes

O modelo da Cidade do Cabo repercute no resto da África do Sul. Sobre a iniciativa da capital turística do país da Copa, a diretora de Marketing do Turismo da África do Sul Roshene Singh a definiu como fantástica e responsável:

É uma proposta importantíssima porque a Cidade do Cabo é uma cidade com tradição turística. É a mais popular, e sempre sai na frente explicou.

Quanto à possibilidade desse entendimento ser incorporado pelas demais cidades, ela não sinaliza previsão, mas expressa boa expectativa.

As cidades precisam se unir com inspiração na Cidade do Cabo. Seria maravilhoso!

Os preços subiram, mas segundo George, brasileiro que vive em Durban (onde o Brasil jogará o terceiro jogo da primeira fase), não estão estratosféricos como em Johanesburgo ou Cidade do Cabo.:

O aumento em Durban para o período da Copa foi de aproximadamente 20%, com valores médios entre 560 rands (R$140) e 3.500 rands (R$875) para acomodações

Ele destaca que a escassez de quartos em alguns lugares contribui para a alta dos preços.

A campanha da Cidade do Cabo não seria tão necessária aqui em Durban. Lá, por ser um destino mais atrativo, a procura passa a ser muito maior do que a oferta.