São Silvestre: supremacia queniana irrita Caldeira, vencedor de 2006

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Jornal do Brasil

SÃO PAULO - Todo dia 31 de dezembro é igual para o esporte brasileiro. As atenções estão voltadas para a famosa corrida de São Silvestre, que toma as ruas de São Paulo pela 85ª vez neste fim de ano. Quinta-feira à tarde, quando milhares de competidores saírem em disparada pela Avenida Paulista (à altura do Masp), mais uma vez, o adversário a ser batido pelos brasileiros tem uma nacionalidade só: o Quênia, país que arrebatou 11 das 17 últimas edições da corrida mais tradicional do Brasil na prova masculina. Na feminina, a história se repete. Cinco quenianas levaram a São Silvestre desde 1999. Neste mesmo período, apenas três brasileiras venceram a prova.

Elas largam primeiro, às 16h30. Em seguida, os homens, às 16h47. A chegada ocorre em frente ao prédio da Fundação Cásper Líbero (Avenida Paulista, 900). No ano passado, por exemplo, o primeiro brasileiro a chegar terminou em sétimo. O pódio foi todo estrangeiro, com vitória do queniano James Kipsang. Fato que motivou a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) a estabelecer uma norma (editada no dia 23 de janeiro deste ano) que limita da quantidade de corredores estrangeiros, dependendo da importância da prova. O exemplo é que o número de atletas de cada país não pode ultrapassar três na São Silvestre. Porém, a CBAt autorizou a participação de cinco quenianos.

No masculino, por sinal, a supremacia africana é até mais marcante. Desde que os quenianos assumiram o controle da prova, os brasileiros não têm nem a metade do número de títulos deles: são cinco contra 11. Só Paul Tergat, ex-recordista mundial da maratona e que conta com três dos cinco melhores tempos da história da São Silvestre, venceu cinco vezes a prova. Quinta-feira, o atual campeão Kipsang terá a companhia do compatriota Robert Cheruiyot, vencedor em 2002, 2004 e 2007.

Virou praticamente turismo, mas deveria ser negócio: eles vêm, correm e voltam. Não pode ser turismo reclamou Franck Caldeira, último brasileiro a vencer, em 2006. Muitos brasileiros têm o esporte como sobrevivência. Em algumas corridas no país, você conta nos dedos os brasileiros que conseguem se destacar em função excesso de estrangeiros.

Para competir com os quenianos, Caldeira utilizou um velho artifício dos africanos: a altitude, que beira os 2.500 metros em algumas aldeias do Quênia e favorece a capacidade aeróbica em atletas que treinam nessas condições. Até terça-feira, o ex-campeão da São Silvestre treinava em Campos dos Jordão, no interior de São Paulo, que têm picos de até 2 mil metros de altitude.

Brasileiras resignadas

No feminino, seis atletas que já foram campeãs da São Silvestre participarão desta edição da corrida: Derartu Tulu (vencedora em 1994), Margaret Okayo (2003) e Olivera Jevtic (1998 e 2005), além das brasileiras Lucelia Peres (2006), Maria Zeferina Baldaia (2001) e Marizete Rezende (2002).

Última brasileira a vencer, Lucélia Peres diz que ficará satisfeita com um pódio:

2009 foi um ano de transição pois me recuperava das lesões de 2008. Vou fazer o meu melhor para estar no pódio.

>> Últimos campeões

1992 Simon Chemwoyo (Quênia)

1993 Simon Chemwoyo (Quênia)

1994 Ronaldo da Costa (Brasil)

1995 Paul Tergat (Quênia)

1996 Paul Tergat (Quênia)

1997 Émerson Iser Bem (Brasil)

1998 Paul Tergat (Quênia)

1999 Paul Tergat (Quênia)

2000 Paul Tergat (Quênia)

2001 Tesfaye Jifar (Etiópia)

2002 Robert Cheruiyot (Quênia)

2003 Marílson Gomes dos Santos (Brasil)

2004 Robert Cheruiyot (Quênia)

2005 Marílson Gomes dos Santos (Brasil)

2006 Franck Caldeira (Brasil)

2007 Robert Cheruiyot (Quênia)

2008 James Kipsang (Quênia)