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Botafogo: inspiração no passado para garantir o futuro

Por

Fúlvio Melo, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Nas contas dos jogadores do Botafogo, vencer o Atlético-PR neste domingo, às 17h, na Arena da Baixada, livra a equipe definitivamente do risco de rebaixamento para Série B. Não é a primeira vez que ambos se encontram em um momento decisivo. Em 2004, um outro grupo, defendendo a mesma camisa, no mesmo estádio, contra o mesmo adversário, tinha a mesma missão: evitar o descenso, que naquele ano era ainda mais tortuoso, pois o time acabara de subir da Série B. O êxito foi alcançado e serve de inspiração para o time de Estevam Soares tirar de vez a angústia dos corações alvinegros.

Há cinco anos, Botafogo e Atlético jogavam na última rodada. Autor do gol alvinegro no empate por 1 a 1 contra o Atlético-PR de Washington, neste domingo no São Paulo, o atacante Schwenck, se transformava em herói da permanência de um Botafogo, que lutou contra o Criciúma até a última rodada.

A torcida estava desconfiada. Tínhamos acabado de perder para o Corinthians em casa. Não acreditavam na gente resumiu neste domingo atacante do Figueirense.

O adversário direto do time era o Criciúma, que enfrentava o Coritiba, em casa. Antes do jogo, o então técnico Paulo Bonamigo proibiu que qualquer outra informação dos outros resultados fossem repassadas.

No intervalo, a partida estava empatada em 0 a 0. No confronto de Santa Catarina, também havia igualdade no placar, 1 a 1. O clima no vestiário era tenso. Mas outro fator também contribuiu, a despedida do veterano Valdo, 37 anos.

Nosso grupo não merecia cair. Mas acima de tudo o Valdo não merecia encerrar a carreira com um rebaixamento. Corremos tudo e mais um pouco para ele relembra.

Aos 22 minutos, Ricardinho arrancou pela direita e passou pelo goleiro e cruzou para Schwenk marcar o gol alvinegro. O atacante extravasou tirando a camisa e colocando uma faixa na cabeça, que ninguém conseguiu ler.

Estava escrito 'Deus é fiel' (na verdade, como indica a foto ao lado, estava escrito 'Jesus 100%'). Mas na empolgação, coloquei de cabeça para baixo. Fez sucesso na época brincou o desastrado artilheiro.

O gol era necessário, já que o Criciúma vencia o Coritiba por 2 a 1. Um gol do Atlético rebaixaria Botafogo. Como toda felicidade alvinegra é carregada de uma dose de sofrimento, Washington, ao seu melhor estilo, empatou de cabeça. Martírio dos torcedores alvinegros.

Nesse momento, o Botafogo estava rebaixado, mas os jogadores não sabiam. Pouco depois, o Coritiba virou a partida fazendo 3 a 2, e novamente o Botafogo permanecia na Série A. Os jogadores do Botafogo ainda buscavam o gol da vitória para não depender de outro resultado.

Quando o juiz apitou permanecemos no gramado. O alto-falante do estádio anunciou o gol do Criciúma. O jogo ficou 3 a 3. Todo mundo ficou pensando, será que eles vão virar? recorda Schwenk.

Pouco depois, o alto-falante do estádio garantiu o alívio. Cofirmou o empate entre Coritiba e Criciúma. Todos os jogadores abraçaram o veterano Valdo, mas principalmente aprenderam uma importante lição:

É importante você ter

fé. Já davam nosso time como derrotado e lutamos até o fim. A união prevaleceu antes e tem que prevalecer agora - afirma Schwenk.

Esse ano o jogador não conseguiu regressar à Série A, do Brasileiro. Segundo o atacante, uma derrota para o Duque de Caxias foi crucial para saída no G4. Mas Schwenk não acredita em um reencontro tão cedo.

Torço pelos amigos Jefferson, e pelo Lucio Flavio. A equipe só depende dela. Quem sabe um dia não volto a atuar no Glorioso. O Botafogo não vai cair assegura.