Vancouver e Londres traçam estratégias de uso de instalações pós Jogos
Neil Maidment, REUTERS
LONDRES, INGLATERRA - Assim que a chama olímpica for acesa nos Jogos de Inverno, em Vancouver-2010, e nos de Verão, em Londres-2012, os organizadores terão a missão de garantir a suas cidades um legado de fato e não uma coleção de elefantes brancos.
No Canadá e no Reino Unido, as pessoas atrás das duas competições prometeram aprender com os erros do passado, de outras sedes, para não repeti-los.
Atenas-2004 serve de exemplo da importância de planejar o legado olímpico. O saldo da Olimpíada na capital grega foi um amontoado de instalações sem uso. Quase cinco anos após os Jogos, muitas das sedes de Atenas seguem trancadas e esquecidas, esperando fundos privados para serem reabertas. Enquanto isso, o governo grego gasta milhares de milhões de euros em manutenção das sedes.
O Ninho de Pássaro, ícone de Pequim-2008, demanda US$ 10,2 milhões anuais para ser conservado. A presença de 20 mil a 30 mil turistas visitando o local poderia ajudar a diminuir os custos com o Ninho. Os planos incluíam o uso do campo pelo time Beijing Guoan, mas foram deixados de lado. Em agosto, será apresentada a ópera Turandot no Ninho. Mesmo assim, os responsáveis pelo estádio reconhecem que é difícil ter atividades regulares lá.
Casas populares
Com o objetivo de regenerar o East End, região decadente de Londres, o legado além da capital significará uma marca de sucesso para os Jogos de 2012. A ideia após a competição para o Parque Olímpico, que sairá por US$ 13,6 bilhões, abrange a construção de 9 mil novas casas e áreas disponíveis para investimento privado, o que poderia criar 10 mil novos empregos. Está prevista a instalação de uma escola no Estádio Olímpico, pós-Londres-2012. A capacidade de 86 mil pessoas será reduzida para 25 mil lugares, numa tentativa de atrair eventos internacionais de atletismo e até shows.
Acredito que a questão dos elefantes brancos tem dois aspectos diz Tom Russell, diretor de legado olímpico da Agência de Desenvolvimento de Londres. Um trata de como bancar o uso das instalações segundo as metas traçadas para elas. Mas o outro é sobre o nível de uso dessas sedes. Estamos muito concentrados no uso a longo prazo para atrair um grande número de pessoas no parque.
Neste ano, os organizadores de Londres-2012 pretendem criar uma empresa para traçar as metas do Parque Olímpico após a competição. A companhia será comandada por Margaret Ford, escolhida por sua experiência nos setores público e privado. Ela terá de capitalizar a capacidade de o parque conseguir investimentos além de 2012.
O sucesso ou o fracasso do legado será medido pela nossa capacidade de atrair investimento privado após os Jogos diz Russell.
Mais barato que os Jogos londrinos, os de Vancouver, de inverno, custarão US$ 2,02 bilhões. Seu legado abrange o uso das instalações e o incremento de turismo na cidade. Em 1976, outra cidade canadense, Montreal, recebeu a Olimpíada e amargou prejuízo de US$ 1,3 bilhão. Durante 30 anos, seus moradores tiveram de pagar impostos maiores para o governo local equilibrar as contas.
Nosso primeiro passo foi pensar o que as sedes irão significar para os moradores da cidade nos próximos 10, 20, 30 anos diz John Furlong, executivo do comitê organizador de Vancouver-2010. Construímos as sedes para uso longo e para serem adaptadas após os Jogos.
Essa foi o fórmula de cidades bem-sucedidas no legado olímpico. Em 1992, Barcelona usou a Olimpíada para se revitalizar e se tornar um dos destinos europeus mais procurados pelos turistas. Tudo foi aprimorado, de saneamento básico a transporte. Los Angeles realizou os Jogos de 1984 com a ajuda de grandes patrocínios privados. A cidade conseguiu faturar US$ 220 milhões com a Olimpíada.
