Kaká considera "justo" voltar ao banco na Seleção
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ROMA - O meia Kaká, do Milan, artilheiro da Copa dos Campeões, vive a expectativa de ser eleito pela primeira vez o melhor do mundo, enquanto na Seleção Brasileira tem de lutar para voltar a ser titular. No entanto, o jogador considera isso "justo".
Titular da equipe e grande aposta de Dunga para a Copa América, Kaká decepcionou o técnico ao pedir para ficar de fora da competição em julho para descansar, pois "estava no limite físico".
No primeiro jogo após o torneio, o amistoso no mês passado contra a Argélia, Dunga deixou Kaká no banco de reservas, mesma situação vivida pelo jogador após a Copa do Mundo da Alemanha, quando o técnico iniciou um processo de renovação da equipe.
A partir de domingo, quando o Brasil enfrenta os Estados Unidos, em Chicago, Kaká viverá de novo o dilema de provar ao treinador que merece reconquistar seu espaço no time.
- Desde que ele (Dunga) entrou, vem falando que ninguém tem vaga de titular na Seleção, e acho justo, acho que tem que ser assim mesmo, todo mundo tem que conquistar seu espaço. Acho que é uma forma justa de escalar um time - afirmou Kaká.
- Eu não fico frustrado exatamente por saber daquilo que já conquistei. Mas o que eu fiz fica como uma memória para mim, um marco na minha vida. Claro que ninguém fica feliz no banco, mas para mim é uma motivação para eu fazer melhor e conquistar meu espaço - disse o meia, destacando que um ponto a favor de Dunga é o fato de ele não ter encerrado a carreira de atleta há muito tempo, o que facilita o entendimento com os jogadores.
Agora, Kaká fez questão de disputar os dois próximos amistosos, contra os Estados Unidos e México, respectivamente nos dias 9 e 12 de setembro nos Estados unidos.
- Se não for na Europa o clube não é obrigado a liberar, e para esses dois amistosos eu fiz um pedido ao Milan para que não criasse nenhum tipo de caso com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) porque eu gostaria de ir para esses jogos - comentou.
Prêmio e títulos
Em meio a essa situação na Seleção, Kaká conquistou o título da Copa dos Campeões com o Milan em maio, garantindo a artilharia da competição européia com 10 gols, e na semana passada venceu a Supercopa européia.
Tudo isso e mais a escolha pela Uefa como melhor jogador europeu de clubes na semana passada o alavancaram a candidato a ser eleito pela primeira vez o melhor jogador da Fifa neste ano. Nada, entretanto, que abale a serenidade do jogador.
- Estou tranqüilo porque faço tudo aquilo que depende de mim, que é entrar em campo, jogar, treinar, fazer meu trabalho. Agora, a votação, isso já não depende mais de mim. O que eu puder fazer dentro de campo para convencê-los a votar em mim é o que eu vou fazer - disse ele.
Kaká acredita que qualquer jogador que tenha sido campeão, seja por clube ou seleção, é um bom candidato ao prêmio, mas destacou o português Cristiano Ronaldo, atual campeão inglês com o Manchester United.
- É um momento importante da minha carreira em termos de marcos, um momento que está sendo marcado agora pela conquista da Copa dos Campeões, da Supercopa da Europa. E os prêmios individuais são consequência desses títulos - disse.
O assédio de outros clubes, como foi o caso do Real Madrid, é inevitável. E ele não descarta uma mudança, apesar de ter contrato com o Milan até 2011.
- Pelo menos este ano continuo no Milan ainda. Mas para a frente não sei. Estou feliz e minha família está adaptada na Itália, mas depende muito do Milan também. Não quero ficar em um lugar em que nem eu nem o clube estejam satisfeitos - disse.
Uma das razões que levaram Kaká a optar pela permanência na Itália foi a oportunidade de disputar o Mundial Interclubes, conseguida pelo Milan ao conquistar a Copa dos Campeões.
- Um título que falta é esse de campeão mundial (de clubes). A gente no Brasil cresce aprendendo que esse é o título mais importante. Aqui na Europa não é o mesmo valor que tem para nós brasileiros, mas o meu sonho é ganhar esse campeonato - completou.
Copa de 2014
Kaká acredita que será muito bom para o Brasil receber a Copa do Mundo de 2014, para a qual o País é o candidato único. Ele destaca, entretanto, que tudo dependerá da organização.
- O Brasil só tem a ganhar com essa Copa. E tempo nós temos, até 2014 muita coisa pode acontecer no sentido de organização. Isso é fundamental. Para organizar uma Copa você precisa de pessoas capacitadas, e vamos torcer para dar certo - disse.
O meia-atacante, entretanto, não sabe se jogará este Mundial, quando terá 32 anos.
- Nunca parei para pensar em disputar uma Copa no Brasil, até porque não sei se estarei na próxima em 2010, quanto mais em 2014 - disse ele, sem dizer quando pensa parar de jogar.
- Também não parei para pensar até quando gostaria de jogar. Vamos ver como as coisas vão acontecer, família, filhos - comentou.
Bem adaptado a Milão, por enquanto Kaká só descarta um retorno em breve ao Brasil.
- Voltar para o Brasil hoje é difícil. Nos próximos 5 anos, por exemplo, não (deve acontecer). Devo ficar aqui por mais um bom tempo.
