Beckham volta à seleção inglesa após aula de dignidade
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LONDRES - David Beckham deu mais uma aula de futebol, mas em vez de sua habilidade com a bola, foi sua resposta digna à rejeição que recebeu por parte de seu clube e da seleção de seu país que garantiu os aplausos recebidos pelo atleta de 32 anos.
Em agosto último, Beckham encontrou-se na posição de vítima da tentativa do novo técnico da seleção inglesa, Bruce McClaren, de estabelecer sua autoridade no cargo, quando ele foi considerado desnecessário à equipe, depois de 10 anos como um membro indispensável da seleção nacional.
O meio-campista do Real Madrid já havia abandonado o posto de capitão da equipe, uma manifestação de sua tristeza pela desapontadora campanha da Inglaterra na Copa do Mundo de 2006, mas não devia estar esperando ficar de fora da equipe antes de alcançar a marca mágica de 100 convocações.
No entanto, quando McClaren decidiu que ele ficaria de fora, Beckham aceitou o golpe sem acusá-lo. Não houve palavras duras ou portas fechadas, apenas a promessa que ele fez de continuar trabalhando duro.
Sempre que era questionado sobre o assunto, Beckham repetidamente dizia que jogar pela Inglaterra havia sido o ponto mais alto de sua carreira e ele sempre estaria à disposição para o seu país.
McClaren disse que não era necessariamente uma decisão definitiva, mas certamente parecia que a 94a. presença de Beckham na seleção --a derrota na disputa de pênaltis para Portugal nas quartas-de-finais da Copa do Mundo-- seria a sua última.
Sua carreira parecia estar caminhando para uma zona mais confortável, quando em janeiro Beckham anunciou que iria se transferir para o LA Galaxy no fim da temporada, com um contrato de cinco anos para receber inacreditáveis 250 milhões de dólares. O técnico do Real, Fabio Capello, reagiu à novidade dizendo que Beckham não jogaria mais pelo time.
O meio-campista mais uma vez foi correto em sua reação e, após um mês, Capello teve que engolir suas próprias palavras e se dizer impressionado pelo profissionalismo contínuo do jogador.
- Isso aconteceu por conta do trabalho duro e da atitude de Beckham -, disse Capello ao voltar a relacioná-lo para os jogos em fevereiro. Então Beckham, cuja presença falhou em terminar com a seca de títulos importantes para o Real, recebeu um retorno cheio de pompa e circunstância, em um raro momento de paz em meio às dificuldades nas competições nacionais e européias que o Real enfrentava.
Uma suspensão e uma contusão acabaram por terminar o bom momento de seu retorno, mas uma vez que se viu novamente em forma em abril, ele começou a ter um enorme impacto na subida do Real pela tabela.
Inicialmente como reserva e depois como titular, Beckham se tornou o garçom de gols em momentos chave e agora, a três semanas do fim da temporada, ele parece ser o jogador com mais disposição no campeonato, que vê o Real em posição de conquistar o título pela primeira vez desde 2003.
Capello certamente foi convencido e quando as especulações sobre um possível retorno de Beckham à seleção inglesa começaram, ele deixou clara a sua opinião sobre o assunto.
- Não posso entender como um jogador que vem jogando tão bem possa estar de fora de qualquer seleção nacional -, disse o italiano na sexta-feira.
Um dia depois, McClaren fez como o italiano e engoliu seu orgulho, anunciando a convocação de Beckham para a equipe que jogará um amistoso com o Brasil na semana que vem e um jogo da eliminatória para a Euro 2008 contra a Estônia no dia 6 de junho.
- Ele foi um profissional de verdade neste tempo todo. Ele ficou em forma e merece ser convocado -, disse McClaren.
