Indio da Costa: A prefeitura apaga os incêndios, mas não os evita

Jornal do Brasil publica entrevistas com os candidatos à Prefeitura do Rio

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Jornal do Brasil dá continuidade nesta terça-feira (27), com o candidato do PSD à Prefeitura do Rio de Janeiro, Indio da Costa, à série de entrevistas com pleiteantes ao cargo de prefeito ou prefeita da capital fluminense pelos próximos quatro anos. Saúde, educação, mobilidade urbana, segurança pública e legado dos Jogos Olímpicos de 2016 são os temas comentados por todos os candidatos.

Indio da Costa é formado em Direito, tem 45 anos, foi por duas vezes vereador do Rio e está em seu segundo mandato de deputado federal. Indio foi filiado ao PFL/DEM de 1995 a 2001. Entre 1999 a 2001, integrou os quadros do PTB. Em 2011, Indio filiou-se ao PSD, partido pelo qual disputa agora a Prefeitura do Rio. Entre 2013 e 2014, ele foi secretário municipal de Esporte e secretário estadual de Meio Ambiente. Indio integra a coligação "Juntos pelo Carioca" (PSD/PSB/PMB) e tem como vice o deputado federal Hugo Leal (PSB).

Confira a entrevista com o candidato Indio da Costa:

Jornal do Brasil - Há legado dos Jogos Olímpicos para a cidade? Se sim, que tipo de benefício eles podem trazer à população? Se não, quais foram as falhas na execução da Olimpíada e na forma como esses legados foram construídos?

Indio da Costa - Sem dúvidas há um legado, mas não recompensa o dinheiro investido. Criou-se novos pontos turísticos, fez-se o BRT, estendeu-se o metrô até a Barra, mas se esqueceu que a população residente, essa que fica na cidade após os eventos, precisa de hospitais com atendimento digno e rápido, de escolas que tenham estruturas e professores que levem, de fato, ao aprendizado. Nada se fez para dar solução a uma fila de 42.000 crianças sem creches. A política de segurança não deu nenhuma contribuição permanente e a cidade recebeu a oportunidade de sediar os jogos. 

Jornal do Brasil - Muito embora se argumente que hospitais estaduais foram municipalizados e que houve investimentos, a população se queixa muito da saúde na cidade. De onde vem essa percepção da população, que é a real usuária do serviço?

Indio da Costa - A percepção é confirmada na realidade de um péssimo atendimento à população. A prefeitura apaga os incêndios, mas não os evita. Falta avaliação correta das causas de aumento da demanda por atendimento. A Prefeitura não trabalha com a saúde preventiva como deveria. Um bom exemplo é a epidemia recorrente de dengue, zika e outras. A prefeitura faz campanhas para conscientizar a população durante a ocorrência do problema. Depois esquece o assunto até que ele surja novamente. Um modo de trabalho inteligente seria ouvir a população e a partir das queixas e das sugestões agir pontualmente e resolver os gargalos. É a minha proposta. 

Jornal do Brasil - Diante de históricas reivindicações de professores por melhores condições de trabalho e valorização da carreira, como o senhor pretende melhorar a educação pública na capital fluminense?

Indio da Costa - Primeiro mudando o foco da política de educação que hoje está em tudo, menos no aluno. Por isso, ele não aprende. Identificado o problema de aprendizado, passa-se a agir sobre as causas e não sobre as consequências. Um dos pontos fundamentais é o professor, porque não o substitui no aprendizado. É ele quem ensina. As melhores condições de trabalho e valorização da carreira com foco no aprendizado ganham outro sentido. Deixam o campo do corporativismo pelo ambiente de estímulo para que o aluno aprenda. Então, fica fácil estabelecer no plano de carreira os critérios de mérito. 

Jornal do Brasil - As propostas de mobilidade urbana sofreram muitas críticas, desde a descaracterização até a extinção de linhas que ligavam a zona norte à zona sul da cidade, no caso dos ônibus. Como se resolve essa questão?

Indio da Costa - Ouvindo o usuário do sistema, como faz qualquer empresa privada, quando precisa lançar um novo produto ou serviço. O sistema ficou manco, porque está montado na linha o interesse das empresas operadoras. Por isso, acontece a situação de você ir de BRT da Barra a Campo mais rápido do que sair do Jardim Botânico para a Ilha do Governador. 

Jornal do Brasil - Há uma polêmica muito grande em torno da regularização do Uber. Alguns candidatos dizem que vão extinguir o serviço, enquanto outros sinalizam para a taxação. Há, ainda, os conflitos de taxistas com motoristas do Uber. Como resolver essa questão sem demagogias?

Indio da Costa - O Uber existe porque a população comprou a ideia. É uma questão que o mercado resolveu. Há também a decisão judicial. O problema com os táxis é de concorrência, porque os taxistas estão sujeitos a uma série de burocracias e taxas, o que não acontece com o Uber. Então, é preciso estabelecer regras que permitam a convivência comum e uma concorrência sadia e não desleal. A prefeitura pode encontrar o ponto ideal. Não faz, porque trabalha com a lógica do voto. Como o número de taxistas é maior, bem maior, o que equivale dizer que há mais eleitores entre os taxistas do que entre os que operam o Uber, a prefeitura opta pelo discurso demagógico de proteger os táxis. 

Jornal do Brasil - No primeiro debate de TV, houve divergências quanto à maneira da Prefeitura lidar com a questão da segurança pública. Ela é sobretudo de responsabilidade do Governo do Estado? Desmilitarizar, armar a Guarda Municipal ou há um meio termo para evoluir nesse tema?

Indio da Costa - Antes de apresentar uma proposta para a segurança pública, estudei amplamente o assunto. O meu partido, PSD, contratou o Centro de Liderança Pública, com a coordenação do especialista Leandro Piquet e construiu uma proposta, que envolve o treinamento e preparação da Guarda Municipal, mas também a utilização correta do sistema de informações e dados da prefeitura para auxiliar a investigação a cargo da Polícia Civil e do Ministério Público. O ponto central é: a segurança pública é também papel da prefeitura. Ela deve agir de modo preventivo com o policiamento ostensivo a cargo da GM e deve organizar o ambiente urbano. Será um braço importante no sistema de investigação. Um ponto em aberto, porque há especialistas que sugerem e há os que acreditam um risco, é a decisão de armar ou não a Guarda Municipal. Mas, o treinamento dará à Guarda as condições psicológicas de, se precisar, andar armada. 

Veja as entrevistas que já foram publicadas:

Jandira Feghali: Não há como proibir o Uber, mas não pode haver competição desleal com o táxi

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