Bloomberg:“140 milhões de eleitores brasileiros merecem mais”
O site americano Bloomberg publicou nesta quarta-feira (8) um editorial comentando as eleições no Brasil. O artigo diz que o Brasil tem “apetite para mudança” e que, no primeiro turno, mais da metade dos eleitores votaram novamente na presidente Dilma Rousseff. O texto afirma ainda que, nas três semanas que antecedem o segundo turno, os brasileiros estão suscetíveis a ser servidos por uma política equivalente e um “sanduíche de lama” para definir a política que os eleitores brasileiros estão.
O artigo segue falando que Dilma enfrentará ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, no segundo turno; e lembra que Marina, que esteve à frente durante as pesquisas de voto, está fora da corrida. O Bloomberg relembrou a histórica rivalidade entre o PT de Dilma e o PSDB de Aécio. O texto diz que, enquanto os pobres apóiam a atual presidente, os investidores e empresários estão do lado de Aécio Neves. Para o site, agora a vitória depende de conquistar o apoio de Marina, “que inclui evangélicos, neoliberais, ambientalistas e esquerdistas descontentes”.
Com o título “140 milhões de eleitores brasileiros merecem mais”, o artigo segue falando que Aécio apresentou “qualquer coisa parecida com uma plataforma” e que esta veio “em fogo lento”. Sobre Dilma, o editoral diz que ela “ofereceu vagas ‘novas ideias’ para reiniciar a economia vacilante do Brasil”. Ainda sobre a presidente o site afirma que, “no lugar de propostas concretas, Dilma, sem dúvida, se envolve em ataques cínicos” e que sua campanha tenta “pintar” Aécio Neves como o candidato da elite, com gordas dívidas aos bancos. Em contrapartida, o editorial afirma que Aécio tenta atacar a presidente e tirar máximo proveito de escândalos do PT. O artigo, porém, não se aprofunda nos casos de corrupção envolvendo o PSDB, que marcaram o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Para o Bloomberg, o Brasil precisa de um debate honesto sobre como reviver infortúnios. Sobre a economia brasileira, o site afirma que vivemos recessão – ao contrário do que dizem grande parte dos economistas brasileiros – e que o real caiu 33%. O artigo segue dizendo que “a classificação de crédito se afundou um pouco acima status de lixo” e que a confiança das empresas atingiu seu nível mais baixo em uma década. Sobre a Petrobras o Bloomberg fiz que a estatal perdeu a metade de seu valor de mercado desde 2007 e cambaleia sob o peso de subsídios e ditames políticos. Contudo o site admite que o Brasil conheceu o progresso e lembra que houve redução da desigualdade econômica extrema.
O editorial diz também que as mudanças necessárias para impulsionar o crescimento econômico representam “desafios políticos espinhosos”, como o regime fiscal “mais complicado do mundo” e revisão das leis trabalhistas, que o site define como “rígidas”. Seguindo as críticas, o Bloomberg afirma que “ainda mais assustador” é o desafio de fazer o sistema de bem-estar social mais sustentável.
Aos leitores, o texto informa que o Brasil gasta mais de 10% do seu PIB com o “sistema de pensões”, como se refere aos programas sociais do governo do PT. O editoral critica o Bolsa Família, dizendo que um número considerável de destinatários têm rendimentos acima dos níveis de elegibilidade. Contudo, o texto assume que o programa é muito elogiado pelos pagamentos em dinheiro aos pobres.
Por fim, o Bloomberg diz que as mudanças “requerem coragem e visão” e que a capacidade de ouvir não faria mal. O site relembrou os protestos e manifestações que ocorreram no país devido expectativas não atendidas. E finalizou: “agora, quase 18 milhões mais votaram contra a presidente do que nela [Dilma]. Essa é uma mensagem qualquer político deveria ouvir”.
