The Wall Street Journal: “O Brasil tem uma chance”
Em editorial, publicado nesta segunda-feira (06), o Wall Street Journal faz uma análise sobre as eleições presidenciais brasileiras, ressaltando o fato de que Aécio Neves era o terceiro colocado nas pesquisas. Segundo o editorial, o momento “dará aos brasileiros a escolha entre o status quo desgastado e um retorno às políticas que tinham começado a tirar o país de décadas de mau desempenho”, afirma o artigo do Wall Street Journal.
Há apenas um mês, as pesquisas de intenção de voto apontaram que Aécio Neves estava fora da disputa do segundo turno, quando Marina Silva surgiu como candidata do PSB, após a morte de Eduardo Campos em um acidente de avião. No entanto, como o artigo afirma, Marina Silva falhou quando “sua inexperiência se tornou uma preocupação, levando-a para o terceiro lugar, com 21% dos votos válidos. Enquanto Aécio conseguiu 34% e Dilma, 41%, vencendo o primeiro turno.
Segundo o artigo, o resultado pode ser “um revés significativo para Dilma, cujo partido (PT) já governou o Brasil por 12 anos e que teve o apoio popular do seu antecessor, Lula”. Há quatro anos Dilma montou o “boom” global das comoddities e estimulou as reservas de capital federal em mercados emergentes. No entanto, o editorial do Wall Street aponta que o Brasil está passando por uma “ressaca”, o crescimento estagnou e a economia entrou em uma recessão técnica com uma inflação que está rondando os 6,3%.
O artigo destaca que Dilma tem governado o Brasil para a esquerda. Sem mencionar os programas sociais que tiraram mais de 30 milhões de brasileiros da miséria, o artigo segue dizendo que o governo da atual presidente tem aumentado os gastos do governo e que o déficit orçamental chegou a 4% do PIB (de acordo com Goldman Sachs), além de passivos fora do orçamento “que são uma incógnita”. A empresa petrolífera estatal Petrobras está atolado em escândalos. Moeda do Brasil perdeu um terço de seu valor em relação ao dólar.
O artigo taxa Dilma de populista, afirmando que os pagamentos do Bolsa Família, “programa que distribui a renda para os mais pobres, só chega aos realmente pobres.” Para a maioria dos brasileiros o pequeno aumento nos padrões de vida veio de estabilidade de preços e inflação renovada ameaça de apagar os ganhos de rendimentos”.
“Em um determinado momento, o artigo passa pela trajetória de Aécio Neves, relembrando sua atuação como governador de Minas Gerais,” onde ele ganhou uma reputação como um gerente de pro-business que reformou a burocracia para torná-lo mais amigável para consumidores e empresas”. Destaca que a campanha do candidato se resume à simplificar o código fiscal bizantino do Brasil, o controle de preços final sobre a gasolina que estão falindo Petrobras, e parar os subsídios. “Ele agora é um senador e um debatedor qualificado”, conclui o artigo.
O editorial conclui que Aécio tem chances de convencer os eleitores de que tem um plano político melhor e que Dilma, que inicia o segundo turno como a favorita “dada a deriva esquerdista da política brasileira”, implantou políticas responsáveis ??pela atual mal-estar no País. Sem levar as em consideração as conquistas sociais o artigo segue afirmando que “as políticas redistribucionistas têm desperdiçado o seu potencial ao longo de décadas, e mais do mesmo por mais quatro anos não vai trazer a mudança que o país precisa”.
