'El País': Avanços de Marina obrigaram Aécio a crescer na disputa presidencial

Jornal disse que candidato precisou se esforçar para chegar ao segundo turno das eleições

Por Rafael Gonzaga*

O jornal espanhol El País atribuiu a ida do candidato Aécio Neves (PSDB) para o segundo turno das eleições presidenciais à própria capacidade de reação frente um quadro de derrota anunciada e de certa forma já aceito até em seu próprio partido. De acordo com matéria publica nesta terça-feira (7), ao invés de aceitar a derrota quando foi atropelado por Marina Silva (PSB), Neves trabalhou para provar ser capaz de disputar um segundo turno contra a Presidenta candidata Dilma Rousseff (PT).

De acordo com o jornal, sua posição de terceiro colocado na disputa fez com que ele tivesse mais reação nos debates e por isso teria sobressaído neles. O jornal acredita também que o que garantiu a ida do candidato tucano para o segundo turno foi também o fato de ele ter aparecido em todas as suas manifestações exteriores, entrevistas e debates, como o mais brasileiro de todos os candidatos.

Em sua despedida de quase dois minutos no último e mais importante dos debates televisivos, o da TV Globo, com 50 milhões de telespectadores, o El País diz que Aécio, apesar de aparecer naquele momento como derrotado em todas as pesquisas, exalou confiança, sem dureza ou sem agressividade, agradecendo o carinho recebido e revelando sua vontade de prosseguir na disputa.

O jornal lembra que Aécio sempre foi criticado por não saber bater de frente com o governo como oposição e que isso seria atribuído, segundo o jornal espanhol, ao espírito mineiro do candidato, mais propenso aos acordos do que à guerra. O El País diz que o candidato enfrentou, portanto, uma campanha difícil, mantendo sempre o espírito desarmado e sem se deixar deter por nenhuma acusação ou desqualificações pessoal.

Neves teria, de acordo com a matéria, seguido firme em seu esquema, convencido de que, apesar sua derrota estar praticamente certa, ele continuava sendo um candidato a dar a volta por cima. Os votos reais, contrariando os anúncios feitos pelas pesquisas até o momento dos levantamentos de boca de urna, o colocam a seis pontos da Dilma, muito pouco quando se pensa em como ele estava no início da corrida presidencial.

O jornal lembra que a presidente Dilma liderou o primeiro turno pela preferência dos brasileiros, apesar de ter conseguido menos votos do que na primeira vez em que foi escolhida, em 2010. Dilma enfrentará Aécio no segundo turno, e o El País lembra que o candidato mineiro que já foi surfista, lançou o slogan de que a “onda da razão” havia se erguido no mar da campanha, contra a onda do sentimento.

De acordo com o El País, o êxito de Aécio em conseguir avançar para o segundo turno foi fruto de sua teimosia em querer ganhar. Também contribuiu para esse avanço para a segunda fase das eleições a campanha de esperança do candidato e o sentimento dos brasileiros que, em junho de 2013, foram às ruas exigir um Brasil melhor.

*Do programa de estágio do JB