Marina garante que vai manter pré-sal e partilha dos lucros
No Rio, candidata também prometeu destinar 10% do PIB para a educação
A candidata à Presidência pelo PSB, Marina Silva, reafirmou na tarde desta quinta-feira (11/9), em uma coletiva no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, no Centro, que vai manter os programas do pré-sal em curso no atual governo. Marina disse que a partilha dos lucros seguirá o mesmo modelo estabelecido pela gestão do PT, com investimento para as áreas da educação e saúde.
Marina Silva garantiu também que vai seguir o Plano de Diretrizes de Educação, que destina 10% do PIB para o setor, prevendo para quatro anos a universalização do ensino integral, que é uma das metas de seu programa de governo.
Petrobras
A candidata enfatizou que o seu governo não vai admitir que uma das maiores estatais do país seja entregue aos grupos de interesses obscuros. A sua proposta é criar critérios rigorosos para a seleção da nova diretoria, como forma de evitar a corrupção. A presidenciável quer transparência nas contratações de cargos estratégicos na estatal e, para isso, pretende abrir espaço para receber currículos e selecionar com cuidado os profissionais. "A Petrobras está ameaçada, assim como os bancos públicos, na sua eficiência", disse. Garantiu que vai manter os leilões, assim como os projetos que estão em andamento no governo de Dilma Rousseff.
Desmatamento na Amazônia
Marina acusou a presidente Dilma Rousseff, sua adversária pelo PT, de criar uma "cortina de fumaça" com a intenção de minimizar os efeitos do desmatamento na Amazônia, que tem como causa a ausência de uma politica adequada, e pelo não cumprimento do plano ambiental sancionado por ela no ano de 2008, para combater esse tipo de crime na região. Segundo Marina, na época em que o plano entrou em prática, cerca de 50% do desmatamento caiu na Amazônia, no entanto, foi abandonado pelo governo.
Desempenho nas eleições
Marina Silva relembrou que, na ocasião da morte de Eduardo Campos, seu antecessor na candidatura à Presidência pelo PSB, morto num acidente aéreo no dia 13 de agosto, estava com 26% das intenções de voto, mas a sua equipe sabia que quando os debates tivessem início nos meios de comunicação, esse percentual sofreria um grande crescimento. A candidata acredita que o eleitor se identificou com a aliança que foi formada pela sua chapa e, assim, recebeu o acolhimento da sociedade, e também pelas suas propostas. "Que são de mudança e a favor do que a sociedade realmente almeja". Marina classificou a sua aliança como "programática", para quebrar os partidos que estão agora no poder e retirar o país de "penúria" que se encontra, com a inflação descontrolada e desenvolvimento fraco.
Marina abriu ciclo de palestras no Clube de Engenharia
O encontro que aconteceu nesta quinta (11) no Clube de Engenharia teve como ponto de partida uma carta enviada pela entidade enviar, há um mês, para os presidenciáveis, com propostas evolutivas para os próximos anos, ligadas diretamente à atuação do setor. Marina Silva abriu o ciclo de palestras, que deve receber os outros candidatos até as eleições de outubro.
O tema debatido foi "O Rio de Janeiro no desenvolvimento do Brasil", e contou com a participação de muitas personalidades da política nacional, entre eles Miro Teixeira (PROS), Alfredo Sirkis (PSB-RJ), Glauber Braga (PSB/RJ), Walter Feldman (PSB-SP), Aspásia Camargo (PV/RJ), Saturnino Braga (ex-senador), Roberto Amaral (PSB/RJ), Jefferson Moura (PSOL/RJ) e Beto Albuquerque (vice de Marina na Chapa pelo PSB)
"Os meus adversários estão desesperados"
Durante o evento, Marina Silva fez um discurso contundente, relembrando a sua trajetória na militância pelo próprio PT e dificuldades que encontrou desde a sua infância. Demonstrou emoção ao comentar que presenciou o assassinato de companheiros do partido, inclusive Chico Mendes. No entanto, considerou que a sua vontade de Justiça foi maior que seu medo de também ser assassinada. O que, na opinião da candidata, fortaleceu a sua fé, a ponto de atualmente ser capaz "de escalar qualquer montanha para combater a mentira".
"Os meus adversários estão desesperados, apelando para boatos e mentiras. Mas a minha campanha vai dar a outra fase, aquela contrária à mentira", destacou logo no início do seu discurso. Marina disse que não imaginava que os seus adversários nessa corrida eleitoral para a Presidência pudessem usar dos "mesmos preconceitos, as mesmas mentiras que sempre usaram. Nem são criativos para mudar o discurso", destacou. "Olha, é tanto boato que é um batalhão de Golias contra Davi", ironizou a candidata, fazendo referência a uma passagem Bíblica.
Marina comentou que os eleitores, pela que ela tem observado durante a sua campanha, não estão acreditando nos ataques feitos pelos seus adversários. "É uma onda verde e amarela pelo Brasil. Temos uma estrutura pequena, com tempo menor de programa eleitoral na televisão, eles [demais candidatos] estão usando o tempo para atacar e não falar dos seus programas. A gente deu muitos benefícios para a população LGBT, eles citam uma frase para essa população. Leiam as propostas", destacou Marina, convidando a plateia para usar as redes socais para "postar as verdades, na luta contra a mentira".
A presidenciável afirmou que pretende manter as medidas que ela considera positiva do atual governo e corrigir o que não está dando bons resultados. Voltou a dizer que vai "governar com os melhores", citando os nomes de Eduardo Suplicy e do senador Pedro Simon. "Estamos fazendo a aeróbica do bem, vamos trabalhar com o bem", concluiu, acrescentando que 'só quer a vitória do Brasil'.
