Dilma defende investigação de denúncias e diz que Graça Foster "é competente"
Em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, a candidata do PT à reeleição, Dilma Rousseff, falou sobre as denúncias divulgadas neste fim de semana envolvendo a Petrobras e disse que a atual presidente da estatal, Graça Foster, é uma gestora plenamente competente. "Que eu conheço a Graça. Ela é uma pessoa minuciosa na gestão. É muito difícil alguém com a capacidade de gestão dela não estancar vazamentos. Obviamente em toda gestão você tem obrigação de melhorar o que recebeu. E eu acho que ela aumentou a qualidade de gestão e quem vier depois da Graça vai ser obrigado a melhorar a qualidade da gestão", disse Dilma.
A presidente da República disse também que é preciso muito cuidado ao analisar a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. "Quem faz a acusação é uma reportagem feita pela imprensa. Quem tem a informação é a imprensa, o MP. Os processos estão criptografados e dentro do cofre. Vazamento pode significar não validade das provas. Eu determinei ao ministro José Eduardo Cardozo que fizesse um ofício a PF que se tiver algum funcionário do governo, nós gostaríamos de ter acesso a essa informação para poder tomar todas as providências e tomar essas medidas baseadas em informações oficiais. A própria revista que revela estas fatos não revela de onde tirar essas informações. Eu fiz o ofício ao procurador-geral da República para ter essas informações", afirmou.
>> Petrobras: 'Em tempos atrás, esses bandidos seriam fuzilados', diz deputado
>> Dilma nega "tarifaço" e confirma saída de Mantega em eventual segundo mandato
>> 'Veja': Paulo Roberto começa a revelar nomes de esquema da Petrobras
"É possível ficar divulgando sem a Justiça aprovar a delação premiada. Ela tem que ser investigada. Quem faz a delação pode não gostar de uma pessoa e acusá-la, ou estar protegendo alguém. Já que foi divulgado eu acho que tenho obrigação de querer saber. Minha obrigação não é olhar a matéria e falar 'está tudo certo", acrescentou.
Dilma explicou ainda a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que tem sido motivo de polêmica. "Naquela época, nos aprovamos a compra de 50% de Pasadena baseado em uma opinião fundamentada do Citibank, que dizia que era um bom negócio. Mais tarde descobrimos que estava faltando uma nexo de duas cláusulas, uma de put option e outra chamada de cláusula mac. O conselho em todo período só aprovou a compra de 50%. Os outros não foram sequer analisados pelo conselho. Tanto que o TCU concorda que o conselho não teria culpa nenhuma", disse Dilma.
"Quando assumimos o governo, temos que fazer medidas sucessivas e ter um certo cuidado para não agir de forma abrupta. Se não você desmonta o que está feita. Eu substitui aqueles que eu não considerava o que eram os melhores para minha equipe. Não tive nenhuma intenção de valor sobre atos de mal-feito. Quem nomeia os diretores da empresa é o conselho e quem nomeia o conselho e o acionista majoritário. Eu primeiro alterei a presidente do conselho, o que é normal. E depois os outros diretores. Eu alterei por esta questão. Não tinha a menor ideia que alguém dentro da Petrobrás fazia algo assim", prosseguiu Dilma.
"Acho estranhíssimo alguém falar em destruição da Petrobras. Tirando esta questão que tem aparecido neste momento da campanha, a Petrobras hoje é uma empresa primorosa. Nós saímos R$ 15,5 bi e chegamos ao patamar de R$ 111 bi. Como qualquer empresa do mundo tem seu valor baseado nas reservas de petróleo que tem. E hoje a Petrobras tem uma reserva grande", explicou a petista.
Dilma Rousseff disse que o seu governo desmontou muitos esquemas de corrupção, e estranha o fato de que esses não tiveram o mesmo tratamento do atual. "Quem não investiga não descobre. Desmontamos muito esquemas de corrupção. O que me estranha é que outros esquemas de corrupção não tiveram o mesmo tratamento. É o caso do mensalão do DEM. Eu acho que nós investigamos. Fizemos o dever de casa, não deixamos nada debaixo do tapete. Hoje, doa a quem doar, vamos investigar. Você acha que é tranquilo, uma plataforma que custa R$ 1, 5 bi afundar? E ninguém investigar porque afundou. A plataforma, de R$ 1,5 bi é duas vezes Pasadena. Ela afundou no governo FHC e ninguém investigou. Não é próprio das plataformas sair por aí afundando. Teve a troca de ativos da Repsom e não foi investigada. Estou dando dois exemplos que não teve o mesmo tratamento", acusou.
