Lacerda e Patrus evitam responder sobre mensalão mineiro e do PT
O debate entre os candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte promovido pela Rede TV! e pelo jornal Folha de S. Paulo, na noite desta sexta-feira, começou com Marcio Lacerda (PSB) e Patrus Ananias (PT) sendo obrigados a responder sobre o suposto esquema do mensalão no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - que está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal (STF) - e também o chamado mensalão mineiro, sem data para audiência.
Segundo o Ministério Público Estadual (MPE-MG), o mensalão mineiro teria acontecido durante o mandato do ex-governador de Minas Gerais e atual deputado federal, Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998. No suposto esquema empresas estatais teriam repassado verbas para a campanha à reeleição de Azeredo por meio das agências publicitárias de Marcos Valério.
O primeiro a ficar em "saia-justa" foi o candidato Marcio Lacerda, ao responder uma pergunta justamente sobre o assunto, feita pela jornalista Vera Magalhães, do jornal Folha de S. Paulo: "O Walfrido dos Mares Guia, presidente do PSB, partido do senhor, é citado pelo MPE como quem comandou o chamado mensalão mineiro. O senhor acha coerente criticar o PT sobre o mensalão no governo Lula se o MP disse que o mensalão mineiro foi o laboratório do Mensalão do PT?"
Lacerda respondeu dizendo que ao citar o julgamento do mensalão pelo STF, que "é justamente a máxima Corte quem tem autonomia para julgar o suposto esquema". O socialista disse ainda que acredita na inocência de Mares Guia e que o presidente do PSB quer ser julgado pela Justiça mineira para que possa provar a inexistência do suposto esquema: "A pior forma de injustiça é a Justiça que não funciona,", disse.
A jornalista Vera Magalhães, em sua réplica, voltou a "apertar" Lacerda, dizendo que no mensalão "as investigações do MP teriam apontado o senhor como beneficiário, mas o senhor não foi denunciado (...) O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, disse que o MPE adotou na denúncia o tom político e que o senhor teria recebido recursos também".
Marcio Lacerda respondeu também alegando inocência: "Eu não fui ouvido pela CPI, fui ouvido pela PF porque quis. Tenho todos os documentos que provam a minha inocência. Se o Delúbio fez essa denunciação caluniosa, fez por desespero. E se ele fez que comprove", se defendeu o prefeito.
Julgamento do mensalão
Em seguida, foi a vez de o candidato Patrus Ananias passar por apuros. Ao ser perguntado pelo repórter Rodrigo Cabral, da Rede TV! perguntar qual era a opinião do petista sobre o Mensalão e o julgamento no STF. Ananias se esquivou do assunto: "Eu sou advogado e aprendi que para dar opinião sobre um tema precisaria conhecer o processo e eu não conheço os autos. Devemos aguardar a decisão da mais alta Corte do país", afirmou.
Cabral insistiu com a questão citando "o presidente do PT Nacional, Rui Falcão, disse que a condenação do ex-presidente da Câmara Federal pelos ministros do STF, João Paulo Cunha, foi um golpe de estado. O senhor concorda?"
Patrus se esquivou novamente e não respondeu: "Embora eu goste de ler, eu não sou comentarista político ou do judiciário. Estou me dedicando a uma única causa, a Belo Horizonte que nós queremos", escorregou.
O candidato Alfredo Flister criticou a postura de Patrus: "é incrível uma pessoa que diz ter curso superior não estar acompanhando um assunto como o mensalão?"
Ataques dos nanicos
Fora o assunto mensalão mineiro e do PT, o restante do debate foi marcado pelos ataques dos candidatos nanicos aos dois adversários mais bem colocados nas pesquisas eleitorais, Marcio Lacerda e Patrus Ananias.
A candidata do Psol, Maria da Consolação, começou perguntando se o candidato Marcio Lacerda "achava legítimo ou se pretendia enganar a população", já que ainda não havia divulgado o plano de governo para a próxima gestão: "Lacerda respondeu que entregou ao TRE o projeto de governo no prazo legal e disse que vai 'divulgá-lo por volta do dia 15 de setembro'", já que o documento estaria em fase final de aperfeiçoamento.
Consolação retrucou o prefeito, afirmando que ele também teria apresentado com atraso o programa de governo na primeira eleição, e que não realizou "nem 10% do que havia prometido, e o alto valor previsto para gastar na campanha, R$ 35 milhões". "Vai comprometer a próxima administração. Porque alguém terá que pagar a conta", completou.
Lacerda negou o aparelhamento partidário e também o lobby de empresários na administração atual, insinuados pela adversária: "Tenho orgulho de dizer que não houve nenhum privilégio a empresários ou malversação do dinheiro público", afirmou.
Em seguida, foi a vez de Alfredo Flister pressionar Patrus Ananias. Por duas vezes o candidato perguntou porque o petista "promete conceder meio-passe para estudantes, se no primeiro mandato (entre 1993 e 1994) o senhor vetou o meio-passe para os estudantes?"
Ananias se esquivou da resposta enumerando apenas as ações que pretende realizar, caso eleito, para os jovens nas áreas da saúde, educação, cultura, esporte. O candidato disse ainda que agora vai garantir meia passagem para todos os estudantes das escolas públicas de BH: "O senhor falou só o que vai fazer, não respondeu sobre o passado," retrucou Flister.
Nos blocos seguintes os candidatos falaram sobre os projetos e obras previstos nos programas de governo. Até que a candidata Maria da Consolação voltou a criticar os principais adversários: "O que é surpreendente é que vocês estão juntos há 20 anos, apresentando propostas mirabolantes, e porque não fizeram nada até hoje? Vocês não fizeram e não vão fazer", disse.
Alfredo Flister também passou pelo seu momento de apuros. Em duas vezes ele teve que responder se seria um candidato "laranja" de Lacerda, já que todas às vezes que falou Flister fez críticas ao candidato do PT, Patrus Ananias. O candidato negou e afirmou que sua candidatura é financiada apenas pelo próprio partido, o PHS.
O rompimento do PT com o PSB às vésperas do período eleitoral também foi discutido. Perguntado se não estaria sendo oportunista por criticar, agora, a gestão que apoiava. Patrus Ananias disse que foi Lacerda quem "desceu do trem ao ficar do lado de quem está contra o PT (PSDB), desde 1994".
Já Marcio Lacerda, afirmou que quem "rompeu com a aliança foi o PT e não o PSB, pressionado por uma facção mais radical que queria a candidatura própria".
