RJ: Gabeira aponta "mexicanização" da política brasileira
João Pequeno, Portal Terra
RIO JANEIRO - Na oposição aos atuais governos estadual e federal, Fernando Gabeira, candidato a governador do Rio de Janeiro pelo PV, afirmou nesta quarta-feira (25), durante sabatina Folha/Uol que o País vive uma "mexicanização" da política via alianças, usando a Arca de Noé como metáfora.
Segundo ele, a diferença no Brasil é que, em vez de um partido se estabelecer como única força na prática - como o PRI, que governou o México por 71 anos seguidos -, aqui a força única se costura em uma grande "aliança por cargos", protagonizada pelo PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo PMDB, do governador do Rio, Sérgio Cabral.
"Os métodos do PT e do PMDB são semelhantes, é o que chamo de Arca de Noé: você assume o governo e chama todo mundo que quer, de alguma forma apoiar, ou que quer um empreguinho. O Cabral não tem nem tempo de dizer todos os partidos que o apoiam, de tanta gente (são 16 legendas)", comentou. "Você contempla a pessoa com um cargo e ela fica satisfeita e na esperança de melhorar o cargo. Ao mesmo tempo, aqueles que ainda não tem um cargo ficam ali, siderados, na esperança de conseguir um", acrescentou, afirmando que não faria "loteamento político" de cargos e que "Isso é uma crítica também ao PT e ao Lula".
Gabeira citou Júlio Lopes, candidato a deputado federal pelo PP e ex-secretário de Transportes de Cabral como exemplo. "Até me relaciono bem com ele, mas um dono de escola (Lopes é proprietário do Centro Educacional da Lagoa) só pode entender de transporte escolar".
Sem especificar situações, o candidato do PV também afirmou que pode conseguir o apoio de deputados "sem corrompê-los", ao ser questionado sobre como conseguiria maioria parlamentar. "Como deputado (federal), fiz emendas (ao Orçamento da União) inclusive para prefeituras administradas pelo PMDB. Podemos conseguir apoio a partir das emendas ao Orçamento proposta por cada deputado".
