'NYT': Brasil abriga 230 de 703 fintechs da América Latina
Plataformas digitais tem taxas de juros mais baixas que o bancos brasileiros
Matéria publicada nesta terça-feira (4) pelo The New York Times conta que empresas de tecnologia financeira no Brasil estão direcionadas a empréstimos para pequenas e médias empresas para preencher uma lacuna no mercado de crédito comandado por grandes credores, dissuadidos pelo aumento das inadimplências e margens estreitas.
Segundo a reportagem as empresas Fintech no Brasil têm crescido rapidamente em setores de crédito ao consumidor e cartões de crédito, buscando reduzir algumas das taxas de juros mais altas oferecidas pelo mundo pelos bancos tradicionais.
O diário norte-americano fala sobre o Banco Inter, que montou uma plataforma há três anos com foco no varejo, está começando a abrir contas digitais para pequenas empresas, e neste primeiro momento apenas para quem já é cliente pessoa física, oferecendo taxas mais baixas do que os bancos tradicionais.
Os mutuários do maior país da América Latina pagam uma média de 250 por cento ao ano pelo mais arriscado tipo de crédito de refinanciamento não garantido, o mais alto entre as 20 maiores economias do mundo, alerta o NYT.
"Há muito espaço para crescer porque os bancos ainda cobram taxas muito altas e a disponibilidade de crédito para pequenas e médias empresas continua restrita", disse Jorge Vargas Neto, sócio fundador da Biva, fintech que originou 30 milhões de reais ( US$ 9,1 milhões) em empréstimos desde 2015.
A Biva oferece taxas entre 1,7 por cento e 6,3 por cento ao mês aos mutuários e rendimentos médios de 22 por cento ao ano aos investidores, disse Vargas.
Ainda sem regulamentação
O Brasil ainda não tem uma regulação especifica para os credores peer-to-peer*, embora a atividade tenha crescido consideravelmente nos últimos dois anos. O banco central disse em maio que estava olhando para implementar regulamentos este ano para supervisionar empresas fintas.
O lento progresso na concepção de um quadro ressalta a preocupação das fintechs de não contornar ou violar as leis bancárias existentes.
"Este é um meio para tentar superar a ineficiência do sistema de crédito no Brasil, que é mais acentuado para as pequenas e médias empresas", disse Dan Cohen, fundador e parceiro da F (x), que usa algoritmos para combinar perfis dos credores e mutuários.
A mudança ocorre quando os bancos tradicionais reduziram o acesso ao crédito para empresas mais pequenas, em meio a inadimplências e falências durante a recessão mais profunda do Brasil, explica o NYT.
O Banco do Brasil SA, controlado pelo Estado, manteve o crédito no segmento em quase 30% nos 12 meses até março, enquanto os desembolsos no Itaú Unibanco Holding SA para o segmento caíram quase 10% no mesmo período. O Itaú é o n.°1 do Brasil por ativos.
De acordo com um estudo divulgado em maio pelo InterAmerican Development Bank e acelerador tecnológico Finnovista, o Brasil abriga 230 dos 703 fintechs da América Latina, que vão desde bancos digitais até empresas de educação financeira.
Muitas empresas financeiras brasileiras envolvidas em empréstimos dizem que a demanda vem de pequenos empresários. A fintech brasileira Geru empresta em média até 50.000 reais por cliente para indivíduos que desejam investir em suas próprias pequenas empresas, afirma o Times.
"Nós vimos que um grande número de nossos empréstimos são para trabalhadores independentes para investir em suas próprias empresas", disse o fundador da Geru, Sandro Reiss.
(R $ 1 = 3,2997 reais)
*plataformas de empréstimos que ligam investidores a tomadores de crédito
