'WSJ': Ameaças de Trump não param planos de empresas de fabricar fora dos EUA

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Matéria publicada nesta quinta-feira (9) pelo The Wall Street Journal conta que o presidente americano Donald Trump elevou as expectativas dos funcionários da fábrica da Rexnord Corp. de Indianápolis em dezembro quando castigou a empresa por “despedir violentamente” seus empregados com planos para uma mudança para o México. Dois meses depois, a Rexnord continua planejando fechar sua fábrica de rolamentos industriais que emprega 350 pessoas, apesar da humilhação de Trump e da intervenção prévia do presidente para impedir o fechamento de uma fábrica de fornalhas da Carrier Corp. nas proximidades. A Rexnord afirma que migrar sua fábrica para o México é parte de um plano para economizar US$ 30 milhões por ano. Funcionários dizem que eles estão empacotando as máquinas ao mesmo tempo em que seus substitutos mexicanos chegam do país vizinho para serem treinados.

O Journal ressalta que a Rexnord é uma das muitas empresas que têm levado adiante os planos de investir no México apesar das promessas de Trump de pressionar as empresas para manter suas linhas de montagem nos Estados Unidos. Algumas, como a fabricante de equipamentos pesados Caterpillar Inc. e a siderúrgica Nucor Corp., são administradas por executivos que fazem parte de uma comissão de assessorares de Trump sobre políticas para o setor manufatureiro.

> > The Wall Street Journal The Morning Ledger: Despite Trump’s Interventions, Firms Keep Moving to Mexico

Segundo a reportagem executivos da Caterpillar estão dando continuidade a uma reestruturação que inclui a migração de empregos da fábrica de Joeliet, cidade do Estado americano de Illinois, para Monterrey, no México. “Simplesmente temos que esperar e ver como isso vai funcionar”, disse o diretor financeiro da Caterpillar, Brad Halverson, em uma entrevista ao The Wall Street Journal em janeiro, referindo-se às potenciais mudanças na política comercial no governo Trump. Uma porta-voz da Caterpillar disse que a empresa está reduzindo o número de funcionários em todo mundo para manter-se viável “na crise mais longa nos 92 anos de nossa história”. A Nucor, de Charlotte, na Carolina do Norte, está dando sequência à construção de uma nova fábrica no México junto com a siderúrgica japonesa JFE Steel para produzir aço para as montadoras. O diretor-presidente da siderúrgica, John Ferriola, diz que esses planos podem mudar se novas políticas penalizarem as empresas americanas que investirem no México. “Estamos acompanhando a situação em Washington bem de perto”, disse ele a analistas em 31 de janeiro.

O diário norte-americano acrescenta que Trump não especificou quais impostos, tarifas ou acordos comerciais ele pode criar em seu esforço para estimular as contratações no setor manufatureiro dos EUA. No fim de janeiro, o governo anunciou a criação de uma comissão formada por líderes corporativos e trabalhistas, com 28 membros, para assessorar a Casa Branca sobre “a melhor forma de promover o crescimento dos empregos e levar os americanos de volta ao trabalho”. O presidente do conselho da Caterpillar, Doug Oberhelman, e Ferriola, da Nucor, fazem parte da comissão. A Casa Branca não respondeu a pedidos de comentários. A continuidade de investimentos no exterior ressalta a escala das forças econômicas que confrontam os planos de Trump.

De acordo com o noticiário a Manitowoc Foodservice Inc., fabricante de sistemas e equipamentos voltados para a indústria da alimentação, foi adiante com planos de fechar sua fábrica de máquinas de refrigerantes no Estado de Indiana e demitir cerca de 80 funcionários depois da eleição de Trump, segundo autoridades locais. A empresa, que em agosto anunciou planos de migrar grande parte de sua produção para unidades no México, não comentou. A fabricante de componentes eletrônicos CTS Corp. continua com o plano de encerrar a produção de unidade de Elkhard, em Indiana, até meados de 2018 e migrar sua produção para China, México e Taiwan, disse um porta-voz. A empresa informou que cerca de 230 funcionários seriam afetados pela reestruturação.