'WSJ': Forte alta da renda nos EUA pode ter impacto na eleição

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Matéria publicada nesta quarta-feira (14) pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal fala sobre o aumento da renda em 2015 nos Estados Unidos. Foi a primeira alta registrada pela família média americana nos últimos oito anos. Essa reversão, após anos de estagnação dos salários, pode afetar as eleições deste ano. Tende a favorecer a democrata Hillary Clinton e enfraquecer o argumento do republicano Donald Trump contra a gestão da economia no país. A renda familiar mediana - o nível que divide a população ao meio, em termos de renda - corrigida pela inflação, subiu 5,2% em relação ao ano anterior, o que equivale a um aumento de US$ 2,8 mil, para US$ 56,5 mil anuais, informou ontem o Departamento do Censo dos EUA. A expansão fez com que a renda familiar ficasse cerca de 1,6% abaixo do nível de 2007, ano que precedeu o início da mais recente recessão, e quase 2,4% abaixo do recorde, alcançado em 1999.

Segundo a reportagem esses dados mostram que vários anos de sólido crescimento do nível de emprego finalmente contribuíram para que um amplo segmento do país recuperasse o terreno perdido após anos de estagnação ou de quedas sustentadas da renda, principalmente no caso das famílias de mais baixa renda. O aumento anual de 5,2% da renda mediana em 2015 é o maior desde que o Departamento de Censo começou a divulgar esse tipo de dado, em 1967. Essa recuperação de renda das classes baixa e média enfraquece a retórica pessimista da campanha eleitoral de Trump. Muitos analistas sugerem que o próprio fenômeno Trump se deve à insatisfação desses grupos com a longa estagnação da renda, o que fez crescer a desigualdade nos EUA. O dado deve favorecer a defesa da gestão econômica do governo Obama. A melhora significativo dos indicadores de bem estar de 2015 refletiu, em boa parte, a volta da renda das famílias a níveis observados pela última vez antes da violenta recessão, que durou de o fim de 2007 até meados de 2009. A taxa de pobreza oficial foi de 13,5% em 2015, abaixo dos 14,8% de 2014. Ainda assim, o percentual é ligeiramente superior ao de 2008 e maior que os 11,3% de 2000.

O Journal afirma que os números sugerem a extensão pela qual tanto as quedas sustentadas do desemprego quanto os aumentos do salário mínimo promovidos por governos estaduais e municipais nos últimos anos elevaram a renda familiar. Os maiores aumentos da renda ocorreram na faixa de 20% das famílias de menor renda, enquanto a renda caiu ligeiramente no caso de famílias situadas na faixa de 20% de rendimento mais elevado. Entre todos os trabalhadores de tempo integral, as mulheres tiveram aumento significativamente maior que os homens, com acréscimo anual de 2,7%, ante 1,5% obtido pelos homens. Os aumentos reduziram a disparidade salarial entre homens e mulheres ao nível mais baixo já registrado. Os trabalhadores não nascidos nos EUA, que tendem a ganhar menos e cuja taxa de participação na população economicamente ativa é maior do que as dos trabalhadores nativos, tiveram uma das maiores altas da renda. Sua renda mediana aumentou 10,5%, para US$ 45,1 mil anuais, enquanto a renda das famílias nativas subiu 4,4%, para US$ 57,2 mil anuais.

Por outro lado, conclui o WSJ, o relatório mostrou um decréscimo do contingente de pessoas que não tinham seguro saúde em 2015 em relação ao ano anterior, em grande medida devido à expansão do acesso a esse serviço proporcionado pela Lei Federal da Assistência Médica Acessível. O Departamento de Censo detectou que 29 milhões de pessoas, ou 9,1% dos americanos, não tinham seguro-saúde em 2015. O número é inferior ao de 33 milhões de pessoas, ou 10,4% da população, apurado em 2014.