'WSJ': 'Startups’ buscam novas formas de captação
Matéria publicada nesta quinta-feira (2) no The Wall Street Journal, começa contando a história de Mark Hedlund e outros fundadores que estão lançando uma empresa chamada Skyliner, semelhante a uma “startup” normal, mas com uma exceção importante. Os fundadores são todos engenheiros e, coletivamente, veteranos de grandes empresas de tecnologia como Microsoft Corp., Yammer Inc., Etsy Inc. e Stripe Inc. A sede fica na área da Baía de San Francisco. E, como ocorre com muitas startups, os fundadores mantêm segredo sobre seus planos. Mas a Skyliner difere em um aspecto: ela conseguiu evitar, até agora, algo que parece um pré-requisito para a inovação e o crescimento: o capital de risco. O capital inicial de US$ 800 mil da Skyliner vem de outro tipo de fonte: a Indie.vc, comandada pelo investidor de risco Bryce Roberts.
A reportagem do Journal, fala que na segunda-feira (30), a Indie.vc, que conta com recursos de Pierre Omidyar, fundador do eBay Inc., e de Fred Wilson, da firma de capital de risco Union Square Ventures, anunciou seu segundo fundo de US$ 30 milhões. Apesar do envolvimento de investidores de risco tradicionais, a startup opera de outra maneira, diz Roberts. Uma das diferenças é que a Indie.vc não compra uma fatia das empresas que financia, embora mantenha a opção de converter seu investimento em participação acionária se a firma for vendida ou abrir o capital.
O texto do WSJ destaca que em outros casos, ela recupera seu investimento retendo uma parte dos salários dos fundadores depois de certo ponto. Uma empresa que queira ficar para sempre com capital fechado paga à Indie.vc, em dinheiro, até cinco vezes a quantia investida. Este arranjo, e a filosofia que o sustenta, nasceu da frustração com o capital de risco tradicional que, segundo Roberts e outros, leva os fundadores a tentar criar a próxima firma de US$ 1 bilhão, as chamadas “unicórnios”, ou então morrer tentando.
Para ser justo, muitas empresas importantes, inovadoras e gigantescas foram e continuarão a ser construídas com capital de risco. No ano passado, os investimentos nos Estados Unidos totalizaram US$ 72,3 bilhões. Isso vale especialmente para firmas que precisam de grandes volumes de capital para aumentar rapidamente a escala ou entrar em um novo mercado, tal como a Uber Technologies Inc. ou a Box Inc. A própria Indie.vc é um projeto paralelo para Roberts, que a considera um “um teste”.
Para as empresas que recebem capital de risco, ele exerce um impacto muito forte. Um relatório recente da Fundação Kauffman, dos EUA, constatou que menos de 5% de todo o financiamento de startups vem de investidores de risco e apenas 6,5% das startups de alto crescimento tomam esse tipo de recurso. No entanto, 37% das firmas que abriram o capital entre 1980 e 2005 tiveram financiamento de capital de risco.
Mas Roberts argumenta que o modelo de risco tradicional não funciona para a maioria das empresas. Alguns fundadores concordam. A Atlassian Corp., fabricante de software colaborativo que abriu o capital em dezembro de 2015 e está avaliada em cerca de US$ 5 bilhões, cresceu sem financiamento de capital de risco, usando sua receita para se financiar, finaliza o The Wall Street Journal.
