'Les Echos': A decepção dos BRICs
Matéria publicada nesta quarta-feira (16) no Le Monde, conta que no início do milênio, um economista do Goldman Sachs inventou uma sigla que foi um tremendo sucesso: os BRICs. Ele apontou para o Brasil, Rússia, Índia e China, os quatro países emergentes, cuja velocidade de crescimento estava surpreendendo o mundo, com seus PIBs aumentando mais de seis % ao ano! Quinze anos mais tarde, infelizmente, a situação em pelo menos três destes países é muito menos otimista.
A reportagem questiona: Como vai o Brasil? Três milhões de pessoas se manifestaram nas ruas neste domingo (13) contra a corrupção, um escândalo fenomenal assola o ex-presidente Lula, e a crise política não termina nunca. No plano econômico, a recessão foi muito profunda no ano passado e ameaça continuar em 2016 porque o país não conseguiu gerir a transição do seu sistema de desenvolvimento agro-industrial.
E a Rússia? Não está melhor. A atividade também diminuiu drasticamente no ano passado devido ao colapso dos preços do petróleo, o que era sua maior fonte de desenvolvimento e alavanca.
Vamos falar da China? Não é mais mesma. Está em uma grande recessão, mas há poucas semanas não apresenta nenhum alarde, levando-se em conta a intervenção monetária do governo para estabilizar sua moeda. O que seria o sonho de uma grande potência, talvez a maior do planeta, agora é uma máquina de promessas para reequilibrar o seu modelo de negócio.
Apenas a Índia parece escapar dessa inversão temporária, mas dolorosa, talvez por ser mais rural e mais pobre que os outros analisados. No entanto, um continente que também tinha despertado grandes esperanças e hoje decepciona, é a África. Depois que o preço do petróleo e outros commodities caiu, vemos que o otimismo africano da década passada foi meio exagerado. A realidade é bem menos bonita.
