'El País': Banco Central Europeu e Alemanha divergem sobre pacote de estímulo
Vítor Constancio diz que sua intervenção livrou a região do euro de “deflação”Otros
Matéria publicada neste sábado (12) no El País, analisa que Berlim está contra Frankfurt. Empresários, os think tanks e a imprensa alemã pularam na jugular de Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), depois que o novo pacote de estímulo para combater a anemia da zona do euro foi anunciado na quinta-feira.
Segundo a reportagem, o establishment alemão defende seus poupadores com unhas e dentes e critica algumas medidas, mais em linha com a estagnação secular na Europa do que com o ciclo econômico na Alemanha, que enfrenta uma enorme crise. O BCE saiu em própria defesa em uma atitude incomum e de rara firmeza para os padrões de Frankfurt.
O vice-presidente do BCE, Vítor Constancio, fez um apelo a favor do ativismo do Eurobanco e novamente exigiu uma expansão fiscal para apoiar a política monetária.
"Evitamos uma deflação", disse.
O jornal espanhol conta que Draghi respirou tranquilo na sexta-feira (11). Os mercados acabaram com seu grande dia na quinta-feira, com uma reação surpreendente de baixa depois de uma primeira sacudida promissora: mandavam um lembrete de que o banco central não é o todo-poderoso; mandavam um recado de que a instituição talvez tenha perdido sua magia. Com algumas horas de atraso que causaram pavor em Frankfurt, os investidores finalmente digeriram na sexta-feira a enxurrada de medidas expansionistas, e o dia foi de alta para o mercado de ações, de bônus, câmbio e petróleo, praticamente tudo o que é negociado.
El País comenta que Draghi tem outras frentes abertas: empregadores, think tanks e a imprensa alemã, liberal ou social-democrata, popular ou de prestígio, entraram em cena com um ataque furioso contra o pacote de medidas para resgatar a economia europeia da estagnação e do risco de deflação.
