'WSJ': Petróleo iraniano deve levar meses para inundar o mercado
Matéria publicada nesta segunda-feira (18) no The Wall Street Journal, fala que o pleno retorno do Irã ao mercado global de petróleo pode levar meses para acontecer, após a retirada das sanções do Ocidente no fim de semana, disse ontem uma das autoridades mais graduadas desse setor do país, para quem limitações aos bancos ainda podem levar a atrasos.
Segundo a reportagem, autoridades iranianas disseram que o país se prepara para aumentar a produção em 500 ml barris diários. Uma parte dessa produção extra deve ser imediatamente vendida por meio de contratos existentes com a China e outros países asiáticos. O volume de petróleo que o Irã poderia vender a seus antigos clientes na Europa — após três anos de sanções — ainda não era claro.
Rokneddin Javadi, chefe da estatal National Iranian Oil, disse que pode levar nove meses até que o Irã assine seu primeiro novo contrato de exportação após a implementação do acordo sobre seu programa nuclear.
Javadi afirmou ainda que o Irã pretende aumentar sua produção em até um milhão de barris diários, mas ponderou que isso pode levar algum tempo por conta da continuação de restrições a seus bancos.
“Atualmente, nós estamos estudando problemas enfrentados pelos bancos domésticos até aqui. Uma vez que eles estejam resolvidos, a produção e as vendas externas de petróleo crescerão”, afirmou Javadi, citado pela agência estatal de notícias Shana.
O petróleo perdeu mais de um quinto de seu valor desde o início do ano, caindo abaixo de US$ 29 o barril pela primeira vez em mais de uma década. O preço da commodity voltou a recuar hoje, com o petróleo tipo Brent, a referência internacional, sendo cotado a US$ 28,59 o barril na bolsa ICE Futures, em Londres, uma queda de 1,2%.
A perspectiva de retorno do Irã ao mercado está pesando em parte desse declínio nos preços. Traders têm dito que deve haver um sobe e desce de preços com base na percepção de o quão rápido será o aumento da produção iraniana e sua volta ao mercado global.
O Irã ainda enfrenta uma série de sanções dos EUA, mesmo após o levantamento daquelas relacionadas ao seu programa nuclear.
As sanções americanas continuarão a proibir compras locais do petróleo iraniano, bem como a venda de armamentos ao país e negócios com empresas ligadas a grupos paramilitares, como a Guarda Revolucionária Corp. As sanções também barram transações em dólares, dificultando investimentos do Ocidente no país, uma vez que muitos bancos europeus têm negócios significativos no sistema financeiro dos EUA.
A produção de petróleo do Irã caiu em mais de um milhão de barris diários após o endurecimento das sanções, em 2012. O país tem a quarta maior reserva do mundo, mas seu setor petrolífero ficou para trás em relação ao de rivais como os EUA, onde a tecnologia tornou possível acessar poços antes tidos como inacessíveis.
Amir Hossein Zamaninia, vice-ministro do Petróleo a cargo de assuntos internacionais, disse que a alta na produção será “gerenciada de modo a minimizar o impacto negativo” nos preços do produto. O Irã também considera trocar seu petróleo por bens europeus e investimentos em refinarias para atrair compradores.
As exportações iranianas têm também um duro desafio advindo de membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Em especial da Arábia Saudita, que abandonou a política de impulsionar os preços com cortes de produção para, em vez disso, bombear o máximo possível de petróleo e fazer reduções estratégicas de preços na disputa por clientes no mundo todo. Há ainda novas exportações dos EUA e um nível recorde de produção na Rússia.
No longo prazo, o Irã está tentando atrair de volta petrolíferas ocidentais, como Shell, Total e Eni SpA. Sua principal meta é aumentar sua capacidade de produção para seis milhões de barris por dia.
Executivos das petrolíferas têm dito que sua disposição para voltar ao Irã dependerá de detalhes dos novos contratos que Teerã produza para que empresas estrangeiras trabalhem por lá. Antes da imposição de sanções, as companhias tiveram problemas com as condições de trabalho no Irã, que não permite que as empresas tenham a propriedade do petróleo que bombeiam, além de citar contratos com termos inflexíveis que alguns executivos afirmam ter levado a prejuízos significativos.
