Tombini envia carta aberta a Nelson Barbosa sobre inflação
Carta não era enviada pelo Banco Central ao Ministério da Fazenda desde 2003
O Banco Central divulgou uma carta aberta do presidente da autarquia, Alexandre Tombini, ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, na noite desta sexta-feira (9). O documento adverte Barbosa sobre o fato de a inflação oficial de 2015 ter ultrapassado o teto da meta, de 6,5%, detalhando motivos e sugerindo ações necessárias para reverter o quadro.
O envio do documento é obrigatório, segundo decreto de 1999 que instituiu o regime de metas para a inflação. A carta aberta não era enviada pelo Banco Central ao Ministério da Fazenda desde 2003.
Segundo a carta de Tombini, “não obstante o esforço já realizado”, a política monetária continuará “vigilante”. No fim de 2014 e ao longo ano passado, o Banco Central elevou sete vezes consecutivas a Selic – taxa básica de juros da economia –, na tentativa de conter a inflação. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano. Segundo o presidente do BC, a autarquia adotará as medidas “necessárias” para assegurar que a inflação não ultrapasse o teto da meta em 2016 e convirja para 4,5% em 2017.
De acordo com Tombini, o reajuste dos preços administrados por contrato, como o da energia, e o realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais impactaram a inflação em 2015. A autoridade monetária ressaltou ainda que o ajuste fiscal implementado no ano passado “incluiu aumento de tarifas públicas e recomposição de impostos regulatórios, com impacto direto e relevante sobre alguns preços – não apenas, mas, sobretudo, os administrados".
O IBGE informou no mesmo dia que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2015 em 10,67%. A taxa é a maior desde 2002, quando a inflação terminou o ano em 12,53%. A meta de inflação em 2015, determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), era de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
Para o presidente do BC, o último semestre de 2015 também foi comprometido pelos efeitos de novos ajustes nos preços administrados, advindos, principalmente, da variação nos preços dos combustíveis, e pelo repasse da valorização do dólar, observada ao longo do ano.
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* Da Agência Brasil
