Perda do grau de investimento não é a maior preocupação no momento, avalia economista
Para Alexandre Cabral, da Neo Value, mercado já esperava o rebaixamento do Brasil pela Fitch
A Fitch é a segunda das três grandes agências de classificação de risco a tirar o grau de investimento do Brasil. Se a Standard and Poor´s já havia feito o mesmo em setembro deste ano, em resposta à revisão da meta fiscal de 2015 para déficit de R$ 119 bilhões, agora somente a Moody´s mantém o selo de bom pagador brasileiro. Porém, a agência já vem dando sinais de desconfiança em relação ao cenário econômico do país, e já colocou sua nota fiscal em revisão para um possível rebaixamento.
De acordo com o economista Alexandre Cabral, da consultoria econômica Neo Value, no entanto, o impacto imediato do rebaixamento da nota brasileira pela Fitch é "muito pequeno", pois já era algo tido como certo pelo mercado. "Não é uma notícia maravilhosa, mas isso já era esperado. A maior preocupação do mercado hoje é perder o Levy (Joaquim Levy, ministro da Fazenda). O dólar subiu um pouco, nada muito absurdo. É normal que gere um pouco de inflação e incertezas, mas as preocupações maiores agora são o aumento da taxa de juros pelo Fed (Sistema de Reserva Federal dos EUA), o desenrolar do processo de impeachment da presidente Dilma, e principalmente uma eventual saída do Levy da Fazenda", avalia o economista.
Ainda segundo Alexandre Cabral, um provável rebaixamento da nota de crédito brasileira pela Moody´s também não traria consequências tão graves: "Em um curto prazo, não vejo tantos problemas. Só estes dois (Fitch e Moody´s)? Vida que segue. O mercado já vem esperando. O problema é isso se tornar uma constante, com novos rebaixamentos", finaliza.
