Ibovespa volta a cair, influenciado por política brasileira e queda do petróleo
Índice recuou 1,14%, a 44.747 pontos; dólar subiu 0,32%, cotado a R$ 3,8862 na venda
O Ibovespa voltou a cair nesta segunda-feira (14), pressionado pela tensão política do Brasil e pela derrocada do petróleo. No mercado financeiro, segue o temor de que as agências de risco Moody's ou Fitch rebaixem o rating brasileiro nos próximos dias. No encerramento, o índice caía 1,14%, a 44.747 pontos.
No cenário doméstico, as incertezas políticas continuam a afetar a confiança do mercado na economia do país. Neste domingo (13), brasileiros foram às ruas pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Os atos, embora se espalhassem por quase todas as capitais, tiveram menos adesão do que suas edições anteriores.
Nesta segunda, investidores também estiveram de olho no Relatório Focus. Os economistas consultados projetaram que o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 caia 3,62%, ante os 3,5% registrados na semana passada. Já o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deverá avançar 10,61% em 2015, na avaliação de especialistas.
No destaque das ações a Petrobras caiu, acompanhando as perdas do petróleo. No fechamento, suas ações ordinárias (PETR3) baixavam 0,90%, a R$ 8,77, enquanto as preferenciais (PETR4) tinham baixa de 0,55%, cotadas a R$ 7,21. No noticiário interno da estatal, seu Plano de Negócios deverá alcançar US% 83 bilhões entre 2016 e 2020. Trata-se de uma queda de 37% em relação ao período de 2015-2019.
As projeções constam de relatório de analistas do Itaú BBA. "Esperamos que a Petrobras invista cerca de US$ 1 bilhão ao ano em exploração, enquanto a produção doméstica provavelmente vai parar de crescer e se estabilizará em cerca de 2,2 mi bpd em 2017. Para outros negócios, esperamos apenas gastos em manutenção e investimento limitado em ativos que devem ser vendidos (principalmente no segmento internacional", afirmam os economistas responsáveis pelo texto.
A Vale, por outro lado, sobe impulsionada pelo preço do minério de ferro spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao. No encerramento, seus papeis ordinários (VALE3) tinham alta de 2,05%, a R$ 12,46, enquanto as preferenciais (VALE5) subiam 2,92%, a R$ 9,87.
No âmbito internacional, o mercado fica de olho na reunião do Federal Reserve desta semana. Analistas esperam que o banco-central dos Estados Unidos finalmente dê início a um ciclo de alta na taxa de juros norte-americana, o que poderá acarretar a fuga de capitais de economias emergentes.
Dólar sobre após protestos anti-Dilma e com expectativas do Fed
Em reflexo das manifestações deste domingo e o aumento das expectativas em relação à política monetária dos EUA, o dólar voltou a subir e fechou a segunda cotado a R$ 3,8862 (+0,32%) na venda. Na máxima, a moeda ultrapassou R$ 3,90.
Na manhã de hoje, o Banco Central deu continuidade a seu programa diário de interferência no câmbio, seguindo a rolagem de swaps cambiais com vencimento em janeiro. Até agora, a autoridade já rolou o equivalente a US$ 5,473 bilhões - cerca de 51% do lote total, que corresponde a US$ 10,694 bilhões.
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