Credores exigem a implementação de reformas para concessão de resgate
Acordo inclui a criação de um fundo de privatização com 50 bilhões de euros em ativos
A Grécia e a zona do euro chegaram nesta segunda-feira (13/7)a um acordo que impõe duras medidas de ajuste ao governo de Atenas em troca de um resgate financeiro de três anos por um montante avaliado entre 82 e 86 bilhões de euros. Os principais pontos do acordo foram divulgados nesta manhã (horário de Brasília).
De acordo com o documento redigido pelos 19 líderes europeus reunidos neste domingo (12/7), os países do bloco econômico ressaltam a "necessidade crucial de reconstruir a confiança com as autoridades gregas como pré-requisito" para um novo plano de resgate.
O Eurogrupo condicionou a inclusão do Fundo Monetário Internacional (FMI) no acordo para a Grécia ter acesso a um programa de resgate do MEE (Mecanismo Europeu de Estabilidade).O governo de Alexis Tsipras havia insistido que não queria o FMI no novo resgate e havia chegado a falar de sua responsabilidade criminosa nas medidas de austeridade;
Entre os pontos chave que os credores exigem está a reforma dos sistema de aposentadorias e a abertura à concorrência de setores como o do transporte marítimo ou da energia, assim como uma "revisão e modernização" do mercado de trabalho.
Também exigem uma reforma do escritório de estatísticas (Elstat), que havia sido acusado de manipular dados macroeconômicos.
O acordo inclui a criação de um fundo com 50 bilhões de euros em ativos que servirão para amortizar a dívida.
Este fundo, uma ideia da Alemanha, e que será controlado pela zona do euro, foi um dos principais obstáculos na negociação. Finalmente o fundo ficará na Grécia e não em Luxemburgo, como pedia Berlim.
Os sócios europeus pedem a "modernização e a despolitização" da administração grega e que antes de 20 de julho a Grécia faça propostas para reduzir o custo de gestão.
Em outro trecho do documento, Eurogrupo reconhece a "preocupação sobre a sustentabilidade" da dívida, uma situação que atribui "às políticas (gregas) dos últimos 12 meses". O Eurogrupo também se declara disposto a tomar medidas adicionais, como o aumento dos prazos de vencimento, mas ressalta que não pode haver um perdão.
O Eurogrupo se compromete a um plano de 35 bilhões de euros para apoiar o crescimento e a criação de emprego nos próximos cinco anos.
Os líderes europeus insistem no controle e na implementação do acordo, incluindo o "trabalho de campo em Atenas", uma referência à presença na Grécia de representantes das instituições para verificá-lo.
