'WSJ': Após manutenção de rating pela S&P, Brasil aguarda divulgação do PIB

Expectativa é que relatório, que será divulgado na sexta-feira, mostre contração para 2014

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"A presidenta Dilma Rousseff teve um grande alívio na segunda-feira à noite quando a agência de classificação de riscos Standard & Poor’s manteve a nota de crédito para o Brasil, mas a expectativa é de que o relatório sobre crescimento econômico que será divulgado na sexta-feira traga mais notícias ruins para a presidenta”. É o que diz uma matéria do jornal norte-americano The Wall Street Journal

“Dilma Rousseff, que foi reeleita em outubro, viu sua taxa de aprovação despencar, no momento em que a economia estagnada, os esforços de seu governo para aumentar impostos e cortar despesas e o escândalo de corrupção da Petrobras reduziram seu apoio junto a seus  eleitores”, diz o artigo dos jornalistas Jeffrey T. Lewis e Will Connors

O escândalo de corrupção na Petrobras está pesando na economia brasileira, disseram analistas da S&P em uma teleconferência na terça-feira. No início desta semana, a S&P reduziu a perspectiva para a companhia de petróleo, mas se absteve de rebaixar sua classificação de crédito. No mês passado, a Moody’s Investors Service rebaixou a dívida da Petrobras para grau especulativo.

A Petrobras é uma potência de investimento que tradicionalmente tem sido responsável por cerca de 10% do total de investimentos comerciais anuais no país. Mas o escândalo forçou a empresa a cortar despesas nessa área vital. “A história da Petrobras está frustrando a história de crescimento,” explicou Lisa Schineller, diretora geral da S&P na América Latina.

Dilma Rousseff conseguiu escapar com a decisão da  S&P sobre a dívida soberana do Brasil. Um rebaixamento teria empurrado a classificação do país para grau especulativo, aumentando custos de empréstimos. Também teria sido um golpe para o prestígio já abalado da presidenta e seus esforços para melhorar a situação fiscal de seu governo e restaurar a confiança em sua política econômica.

S&P citou esses esforços quando manteve seu grau de crédito “BBB-” a classificação da dívida externa de longo prazo e seu “A-3” a classificação das divisas estrangeiras  de curto prazo, ambos com uma perspectiva estável. 

A agência de classificação afirmou que espera que Dilma Rousseff e o congresso brasileiro continuem dando apoio ao politicamente difícil programa de austeridade proposto pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy. 

Levy anunciou aumento nos impostos e cortes nas despesas, mas muitas das medidas vão exigir aprovação do congresso em um momento de tensão crescente entre a presidenta e o congresso. “É claro que aqui iniciativas políticas importantes estão sendo desenvolvidas,” afirmou Schineller. “Estamos esperando pela aplicação delas no resto do ano.”

A S&P também destacou os desafios colocados pela economia fraca do país. A agência de estatísticas do Brasil vai divulgar na sexta-feira seu relatório para o produto interno bruto (PIB) em 2014, e economistas esperam que mostre uma contração. O PIB também vai se encolher em 2015, em cerca de 1%, de acordo com uma pesquisa semanal feita por economistas levada adiante pelo banco central. Se isso acontecer, vai marcar a primeira contração anual do PIB em dois anos seguidos desde a Grande Depressão.

O presidente do banco central brasileiro Alexandre Tombini repercutiu algumas das avaliações da S&P sobre a economia fraca em testemunho no Senado do país na terça-feira, afirmando que o Brasil está passando por um importante e necessário ajuste e que 2015 será um ano de transição.

“O governo está propondo e adotando mudanças fiscais profundas e amplas com cortes nas despesas,” disse ele. “Isso vai contribuir para a transição ser rápida” e para que os benefícios cheguem rápido.