'WST': OCDE eleva projeções de crescimento com petróleo em queda

Órgão de pesquisa alerta sobre “super-dependência’ de políticas cambiais para apoiar crescimento

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“A perspectiva para a economia mundial melhorou nos últimos meses de 2015 como um resultado dos preços de petróleo mais baixos e o fornecimento de estímulos adicionais por parte de vários bancos centrais, afirmou na quarta-feira (18/03) a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)”. É o que diz uma matéria de Paul Hannon do Wall Street Journal publicada nesta quinta-feira (19/03)

Mas o órgão de pesquisa com sede em Paris alertou que  a “dependência excessiva” em política cambial para dar apoio ao crescimento gera perigos para a estabilidade do sistema financeiro, incluindo a tomada de risco excessivo e de empréstimos, e as taxas cambiais que não refletem circunstâncias econômicas inerentes.

A OCDE afirmou que a apreciação do dólar frente a outras grandes moedas está contribuindo a baixar a inflação na maior economia do mundo e poderia enfraquecer o crescimento ao sufocar as exportações. Por isso, espera que o Federal Reserve dos Estados Unidos para postergar seu primeiro aumento em taxas de juros, o que vários economistas esperam que tenha acontecido em junho, até haver sinais de que as economias da Europa estiverem se fortalecendo, e o euro estiver pronto a se valorizar.

“A questão sobre quando o Fed irá sair do zero depende muito de uma recuperação da Europa,” afirma  Catherine Mann, a economista chefe da OECD, em uma entrevista com o Wall Street Journal.

Na primeira atualização para suas projeções em 2015, a OCDE afirmou que agora espera que as economias para as quais fornece estimativas — que respondem por 70% da produção mundial — cresçam em cerca de 4% teste ano e 4,3% no próximo. Em novembro, prevê um crescimento de taxas de 3,9% e 4,1% para esses anos.

A OCDE notou que os bancos centrais que regulam a contabilização das economias para 48% da produção global abrandaram suas políticas desde dezembro, possibilitando um impulso ao crescimento. O declínio em preços do petróleo também ajudou, diz a organização.

O Banco Central Europeu é um desses que têm flexibilizado a economia nos últimos meses, lançando no dia 9 de março um programa que prevê a compra de mais de € 1 trilhão (US$ 1,06 trilhão) na maioria de títulos do governo por volta de setembro de 2016.

A OCDE afirmou que o estímulo vai ajudar a impulsionar a atividade econômica e elevou suas projeções para o crescimento na zona do euro para 1.4% em 2015 e 2,0% em 2016 vindo de 1,1% e 1,7% previamente, mais ou menos alinhado com as projeções do BCE. Mas o órgão diz que para a recuperação seja sustentável, os governos terão que avançar com reformas econômicas necessárias, e um novo programa de investimentos na infra-estrutura.“Isso não pode servir de desculpa para que  formuladores de políticas fiquem passivos,” disse Mann. Por razões parecidas, elevou suas projeções para o crescimento japonês para 1% este ano e 1,4% no próximo, de 0,8% e 1% respectivamente. A OCDE também pressionou o governo do Japão a mostrar “maior ambição” em seus esforços para reformar a economia.O órgão de pesquisa baixou suas projeções para o crescimento chinês neste ano, mas suas maiores mudanças ficaram para duas outras grandes economias em desenvolvimento. Elevou suas projeções de crescimento  da Índia para 7,7% este ano e 8% no próximo, saindo de 6,4% e 6.6% respectivamente, indicando que agora espera que o país ultrapasse a China como o país com o crescimento mais acelerado entre as grandes economias.

O órgão de pesquisa baixou suas projeções para o crescimento chinês neste ano, mas suas maiores mudanças ficaram para duas outras grandes economias em desenvolvimento. Elevou suas projeções de crescimento  da Índia para 7,7% este ano e 8% no próximo, saindo de 6,4% e 6.6% respectivamente, indicando que agora espera que o país ultrapasse a China como o país com o crescimento mais acelerado entre as grandes economias.

Em contraste, a OCDE cortou suas projeções para o Brasil, prevendo que a economia tenha uma contração em 0,5% este ano, tendo projetado anteriormente um crescimento de 1,5%.

Mas enquanto elevou suas projeções de crescimento para algumas grandes economias, a OCDE alertou que a ameaça apresentada por taxas muito baixas de inflação, e em vários casos preços em queda, “estão crescendo.” O órgão afirmou que agora é possível que os preços caiam em todas as cinco maiores economias do mundo durante a primeira metade deste ano, uma situação que seria “sem precedentes.”